06 jan, 2026 • Anabela Góis
Nas últimas horas, vários países europeus da NATO, incluindo Portugal, cerraram fileiras em defesa da Dinamarca que controla a Gronelândia.
Este acordo surge após as intenções renovadas do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, sobre uma possível ocupação do território dinamarquês. Mas o que justifica o interesse do Presidente norte-americano na Gronelândia?
O Explicador Renascença esclarece.
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Donald Trump interessa-se pela região desde logo pela localização estratégica. A Gronelândia fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
O Presidente dos EUA tem defendido que precisa da ilha como parte do sistema nacional de segurança, já que dali poderia monitorizar as águas entre a ilha, a Islândia e o Reino Unido que são utilizadas por navios da marinha russa e por submarinos nucleares.
Outro interesse são, naturalmente, as reservas em minerais, petróleo e gás natural que a Gronelândia possui.
Desde a década de 1950, os EUA dispõem de uma instalação vital para o sistema de defesa antimísseis norte-americanos.
O acordo entre Washington e Copenhaga foi assinado na sequência da Segunda Guerra Mundial e garante aos americanos o direito de operar bases militares no território, mas desde que as autoridades dinamarquesas e da Gronelândia sejam informadas.
Defesa
Declaração conjunta exige aos Estados Unidos que r(...)
A Gronelândia é uma antiga colónia da Dinamarca, que passou a integrar este reino nórdico em 1953. Em 2009, recebeu uma ampla autonomia, incluindo o direito de declarar independência da Dinamarca através de referendo.
De resto, até há pouco tempo as sondagens apontavam que a maioria dos 57 mil habitantes da ilha apoiavam a independência.
Porém, o interesse de Donald Trump em anexar a ilha fez com que a Dinamarca se esforçasse por melhorar as relações com Nuuk, que é a capital do território e muitos gronelandeses têm manifestado receio de que uma independência precipitada aumentasse os riscos de anexação pelos Estados Unidos.
Os líderes da Europa estão contra. Aliás, nas últimas horas numa declaração conjunta, sete países europeus, incluindo Portugal, juntamente com Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Polónia defenderam a autonomia da Gronelândia
Para além disso, estes países apoiam a posição da primeira-ministra dinamarquesa, que exigiu aos EUA que parem com as ameaças.
Como referiu Luís Montenegro na rede social X (antigo Twitter), “cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e apenas a elas, decidir sobre questões relativas a estes territórios".
A União Europeia (UE) avisou que a Gronelândia não é "um pedaço de terra que esteja à venda".
A porta-voz para a Política Externa, Annitta Hipper, reiterou que Bruxelas "vai continuar a defender os princípios de soberania nacional, de integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras".
Nas últimas horas, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou para as consequências de um ataque norte-americano a um país da NATO, dizendo que isso seria "o fim de tudo", incluindo da aliança militar e do sistema de segurança estabelecido desde o final da Segundo Guerra Mundial.
Frederiksen rejeitou as alegações de Washington sobre falhas de segurança no Ártico e sublinhou que a Dinamarca já investiu mil e duzentos milhões de euros na segurança da região.
Depois de Trump ter dito no fim de semana que a Dinamarca não será capaz de tomar conta da Gronelândia e de ter garantido que tomaria conta da ilha em vinte dias, Stephen Miller, um dos principais assessores do Presidente norte-americano, veio dizer que os EUA podem anexar o território dinamarquês facilmente.
Miller sublinhou ainda que ninguém vai entrar em guerra com os norte-americanos por causa disso, portanto todos os receios são legítimos.