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Homem morre à espera do INEM no Seixal. O que aconteceu?

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Homem morre à espera do INEM no Seixal. O que aconteceu?

07 jan, 2026 • Anabela Góis


No Explicador Renascença desta quarta-feira, esclarecemos o que aconteceu, os motivos que justificaram um tempo de espera de quase três horas, as reações do presidente do INEM e do sindicato dos técnicos e como se pretende resolver o problema.

Um homem morreu na terça-feira no Seixal depois de quase três horas à espera de socorro do INEM, confirmou esta quarta-feira à Renascença o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH).

O INEM já abriu um uma auditoria para perceber o que falhou e a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a investigar a qualidade do serviço, na perspetiva da prontidão, enquanto o sindicato dos técnicos de emergência pré-hospitalar aponta culpas ao novo modelo de triagem.

O que se sabe, até momento, que possa ter justificado a demora?

O Explicador Renascença esclarece.

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O que aconteceu?

O presidente do INEM diz que não há nada a apontar ao modelo de triagem, que o doente em questão foi classificado com o grau de urgência adequado.

De acordo com Luís Cabral, o problema foi a falta de meios, já que não havia ambulâncias disponíveis na Margem Sul por estarem retidas em diferentes unidades de saúde.

A resposta acabou por ser dada pela viatura médica de Almada, que entretanto ficou livre.

Homem morre após três horas à espera do INEM. O que sabemos?
Homem morre após três horas à espera do INEM. O que sabemos?

Mas porquê quase três horas de espera?

De acordo com a fita do tempo desde caso, a primeira chamada para o INEM foi feita às 11h23: um homem de 78 anos tinha caído e mostrava-se agitado, confuso, sonolento e prostrado.

A situação foi classificada como prioridade três, que prevê o acionamento de meios em 60 minutos. Porém, só mais de uma hora depois, foi registado que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha ambulâncias e que as de Almada e Seixal estavam ocupadas.

A viatura médica de Almada, que entretanto ficou livre, só foi enviada quase 3 horas depois da primeira chamada.

E o sindicato dos técnicos do INEM diz que a culpa foi da triagem?

O presidente do sindicato, Rui Lázaro, admite que o facto de ter sido atribuída uma prioridade ao doente que previa resposta em 60 minutos, pode ter sido determinante para o desfecho.

Rui Lázaro disse ainda que, segundo o antigo modelo, logo que o caso fosse triado como emergente seriam procurados meios de emergência para enviar.

Mas esta versão é contestada pelo presidente do INEM que garante que o nível de prioridade dado ao doente em causa foi exatamente o mesmo que teria sido dado antes do novo modelo entrar em vigor.

Luís Cabral assegura, por isso, que agora “o Instituto de Emergência Médica está a atender mais rapidamente, a identificar melhor as situações e a fazer uma melhor triagem”.

Mas se o problema é a retenção das ambulâncias nos hospitais, como é que o INEM pretende resolver o problema?

Para já, Luís Cabral deu indicações para que, a partir de agora, qualquer maca retida seja recolhida para que os hospitais percebam que as macas servem para a resposta de emergência do INEM, já que as ambulâncias não podem sair dos hospitais sem as respetivas macas.

Mas este é um problema antigo que se repete sempre que há picos de procura nos hospitais, como acontece na época das gripes, e até agora sem solução.

Há exatamente um ano a Liga dos Bombeiros chegou a ameaça cobrar uma taxa aos hospitais pelo tempo de retenção das macas.

E como funciona o novo modelo de triagem do INEM?

O novo sistema de triagem é um modelo semelhante ao que é usado nas urgências hospitalares: com base na informação recolhida durante a chamada para o 112, os utentes são classificados com um de cinco níveis de prioridade - desde emergente, o mais grave, até não urgente - sendo que a cada um corresponde um tempo de resposta definido.

Os tempos de espera definidos vão desde o imediato até 120 minutos, tempo de resposta previsto para os casos pouco urgentes. Os casos não urgentes são transferidos para a linha SNS24.

A outra novidade é que a pessoa que ligou é informada sobre a prioridade atribuída, o tempo de resposta estimado e o encaminhamento definido.

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  • Jose Pereira
    07 jan, 2026 Ludlow 20:52
    78 anos destino MORRER e dizem melhor servico de saude do mundo HAHAHAHA