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Protestos no Irão podem significar o fim do regime?
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Protestos no Irão podem significar o fim do regime?

09 jan, 2026 • André Rodrigues


Nos últimos dias o país registou um apagão na Internet, como forma de travar a divulgação para o exterior das imagens dos protestos contra o regime.

Multiplicam-se as manifestações no Irão. Esta quinta-feira, uma multidão voltou a invadir o centro da capital Teerão.

Em 12 dias, já morreram pelo menos 45 pessoas, entre elas oito crianças.

O Explicador Renascença esclarece.

O que é que desencadeou esta nova vaga de protestos?

A primeira razão é económica. A moeda iraniana voltou a cair para mínimos históricos, a inflação disparou e o custo de vida tornou-se insustentável para grande parte da população.

Só que esse terá sido apenas o pretexto para dar voz ao descontentamento por décadas de frustrações acumuladas: desde as sanções internacionais, à repressão do regime sobre o povo iraniano.

Nos últimos dias o país registou um apagão na Internet, como forma de travar a divulgação para o exterior das imagens dos protestos contra o regime.

Essa soma de fatores acabou por aumentar o descontentamento na população que mostra cada vez mais sinais de descontentamento com o governo iraniano.

Isto pode significar o fim do regime?

É prematuro dizer que o regime está à beira do colapso. Mas esta é uma das crises internas mais sérias desde a Revolução Islâmica de 1979.

Os protestos espalharam-se por dezenas de cidades, envolveram diferentes classes sociais e mostram um desgaste da autoridade dos líderes religiosos.

Há imagens que mostram polícias a depor as armas e a juntar-se aos manifestantes em alguns pontos do país.

Portanto, será um sinal de que o regime já não contará com o apoio - pelo menos total - das forças de segurança.

Estes protestos são diferentes dos anteriores?

Sim e esse é um dado importante. Primeiro, porque são mais transversais: não se limitam às grandes cidades, chegam a zonas rurais e envolvem jovens, trabalhadores, comerciantes e estudantes.

Segundo, porque não têm liderança clara - o que dificulta a repressão, mas também a organização.

E, em terceiro lugar, porque acontecem num país que já viveu protestos muito fortes em 2022, após a morte de Mahsa Amini, a jovem morta por elementos da Guarda Revolucionária, depois de ser acusada de não fazer um uso adequado do hijab, o véu islâmico.

Esse foi um ponto de viragem na contestação ao regime: mulheres e jovens deixaram de ter receio de desafiar a autoridade.

Como é que o regime está a reagir?

Com uma dupla estratégia. Por um lado, a contínua repressão, com detenções em massa, confrontos com manifestantes e forte presença policial nas ruas.

Por outro lado, procurando acalmar a população com promessas de medidas para travar a inflação.

No entanto, várias organizações de direitos humanos sugerem que a prioridade do regime continua a ser o controlo da rua.

Mas há sinais de divisão?

Pelo menos, há sinais de tensão. O círculo mais próximo do ayatollah Ali Khamenei está preocupado com a dimensão dos protestos e com o impacto económico.

Chegou mesmo a ser noticiado que existiria um plano de fuga para Moscovo, caso a situação fugisse ao controlo. Algo que não está confirmado oficialmente, mas que é revelador do clima de inquietação.

O que é que pode acontecer nos próximos meses?

Três cenários possíveis. O mais provável é o regime conseguir controlar a situação através da repressão.

O segundo cenário é o prolongamento dos protestos, com impacto crescente na economia e na estabilidade interna.

Finalmente, um terceiro cenário - menos provável, mas possível - uma escalada política, caso a crise económica se agrave ainda mais ou surjam divisões dentro do poder.

Tudo depende da economia. Se a moeda continuar a cair e a inflação a subir, a pressão sobre o regime vai aumentar.

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