12 jan, 2026 • André Rodrigues
É mais um desenvolvimento na tensão sobre a Gronelândia. A cobiça que o território tem levantado - não apenas pelos Estados Unidos - leva a Alemanha e o Reino Unido a discutir a possibilidade de uma missão da NATO.
Aquilo que a Alemanha e o Reino Unido estão a discutir é a possibilidade de uma presença limitada, rotativa e focada na vigilância da Gronelândia.
O tipo de força mais provável poderá incluir: equipas de monitorização marítima e aérea, capazes de detetar movimentos de navios e submarinos no Atlântico Norte; unidades de reconhecimento e sensores avançados, adaptados ao ambiente ártico; pequenos destacamentos de tropas, não para combate, mas para garantir presença e cooperação com a Dinamarca, que é o país que detém a soberania da Gronelândia.
Não necessariamente. O objetivo é mostrar que a NATO considera prioritária a segurança do Ártico e que esse é um assunto coletivo. Aqui o objetivo é responder à pressão dos Estados Unidos, depois de Donald Trump insistir na possibilidade de adquirir a Gronelândia.
Portanto, esta ideia de uma missão NATO coordenada pela Alemanha e pelo Reino Unido é a demonstração de que a Europa está atenta a esta região cada vez mais estratégica, devido às rotas marítimas e aos recursos naturais.
Pode criar, mas o objetivo é exatamente o oposto. Sobretudo, o objetivo é evitar tensões diplomáticas entre Washington e Copenhaga, mostrando que a NATO pode ser o fórum adequado para discutir a segurança no Atlântico Norte.
Isto porque o governo dinamarquês tem insistido que rejeita qualquer hipótese de anexação da Gronelândia. Portanto, sendo uma missão militar, ela funcionaria mais como uma missão de estabilização política para evitar um eventual cenário de desagregação da NATO.
A Dinamarca vê esta proposta europeia como uma forma de reduzir tensões numa região que deve ser de cooperação e não de competição territorial.
Em resposta a esta ideia de uma missão conjunta britânica e alemã, a posição, tanto da Dinamarca, como da Gronelândia é de que qualquer presença militar estrangeira deve ser coordenada no âmbito na NATO e sempre com o consentimento de ambos os governos.
Isto porque o entendimento é de que a Gronelândia não pode ser anexada, nem por compra, nem por pressão política e que a segurança internacional não justifica uma mudança de soberania.