12 jan, 2026 • Anabela Góis
Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe e neste último mês morreram em Portugal mais de 2.600 pessoas do que o esperado.
Registaram-se ainda 400 mortes por dia, com picos a aproximarem-se dos 500 óbitos diários.
Confrontado com a notícia avançada pelo jornal "Expresso", o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, assegurou esta segunda-feira que Portugal “não é o único país europeu com excesso de mortalidade”. Quais são as justificações para este cenário?
O Explicador Renascença esclarece.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
A Direção Geral da Saúde e o Instituto Ricardo Jorge atribuem o aumento anormal de mortes ao frio intenso.
Com a chegada das temperaturas de inverno mais cedo do que o previsto, é conhecido impacto na descompensação de doenças crónicas e aos efeitos das infeções respiratórias, nomeadamente a gripe e uma estirpe nova que tem potencial para infetar mais gente.
Segundo os especialistas, o frio e a gripe não explicam tudo. É preciso termos em conta que temos uma população muito envelhecida e com muitas doenças crónicas, num país onde persistem carências habitacionais e pobreza energética.
Este conjunto de situações também têm o seu peso nesta fatura mais pesada na comparação com outros países da Europa.
Diretor-executivo do SNS contraria dados que suger(...)
De acordo com dados da rede EuroMOMO - plataforma de monitorização de mortalidade na Europa -, na última semana do ano passado Portugal era o país da Europa com o maior excesso de mortalidade.
Os óbitos acima do previsto mantiveram-se por um período contínuo de, pelo menos, 26 dias até ao início deste mês de janeiro, com o cenário a agravar-se nos dia 2 e 4 de janeiro quando morreram mais de mil pessoas, o valor mais alto dos últimos dois anos.
Na primeira semana do ano, Portugal era o único dos 24 países que enviam dados para esta rede, com excesso de mortalidade muito elevado. No fim de dezembro, Espanha chegou a estar pior do que Portugal, mas entretanto a situação melhorou e deixou de registar mortalidade excessiva.
O Sistema de Informação dos Certificados de Óbitos mostra, entretanto, que continuamos com uma média diária de óbito acima de 400, o limite a partir qual se considera excesso de mortalidade. Só neste sábado é que a média caiu para 397.
Do ponto de vista geográfico, o excesso de mortali(...)
Do ponto de vista geográfico, o excesso de mortalidade foi identificado em todo o território continental, embora as regiões Norte, Centro e Algarve tenham sido aquelas que foram afetadas em primeiro lugar.
Por grupo etário, afeta mais a população a partir dos 65 anos e, em particular, com 85 e mais anos.
Na verdade, pouco dizem. Apenas o diretor executivo do SNS garantiu que Portugal não é o único país da Europa com excesso de mortalidade, o que é contrariado pelos dados oficiais.
Sobre as causas destas mortes acima do habitual para a época, Álvaro Santos Almeida remeteu para uma conclusão mias tardia.