13 jan, 2026 • André Rodrigues
As vendas de automóveis já estão acima do período pré-pandemia. O mercado demorou cinco anos a recuperar da forte quebra registada em 2020.
Veículos ligeiros de passageiros, especialmente os elétricos. A razão é simples: a oferta neste segmento é maior e mais diversificada, os preços começam a estabilizar e as marcas estão a fazer campanhas publicitárias mais apelativas. E isso está a ter, também, repercussão junto das empresas, porque muitas estão a renovar as suas frotas com modelos eletrificados.
Mais de 60% do total de veículos novos vendidos no ano passado. Em 2019, o peso deste segmento não ia além dos 10%. Em números absolutos, a venda de carros totalmente elétricos passou de aproximadamente sete mil em 2019 para mais de 52 mil no ano passado. Um crescimento de quase 660%. Carros a gasolina e diesel continuam a perder terreno, o que pode refletir os efeitos da transição energética. No entanto, há hoje mais emissões de dióxido de carbono produzidas por automóveis do que antes da pandemia.
Não. Em alguns contextos, há mesmo mais emissões de CO₂ produzidas por carros do que antes da pandemia.
Um exemplo claro vem de Vila Nova de Famalicão. Antes da Covid, o concelho tinha cerca de 129 mil toneladas de CO₂ produzidas por carros. Hoje são 157 mil toneladas. Números avançados por um responsável municipal num podcast do jornal Expresso. Razões que explicam este cenário: o regresso massivo ao uso do automóvel após o teletrabalho e o consequente aumento do tráfego urbano. E uma eletrificação que, apesar de estar a crescer de forma contínua, ainda não é suficiente para compensar o aumento do volume de circulação automóvel.
Falam em recuperação gradual. De acordo com o Jornal de Negócios, a quebra de 35% no mercado de ligeiros de passageiros registada em 2020 - o primeiro ano da pandemia - demorou cinco anos a ser superada. A Associação Automóvel de Portugal indica que, em termos globais, os números ainda ficam abaixo dos de 2019, devido à lenta recuperação dos veículos comerciais ligeiros.
Também estão a crescer de forma robusta, mas este crescimento é mais reflexo de procura por alternativas mais acessíveis do que uma recuperação global do mercado. Os SUV compactos e os modelos crossover continuam a ser os preferidos pelos consumidores.