14 jan, 2026 • André Rodrigues
Vai ser uma mudança nos hábitos dos consumidores.
O Governo está a negociar soluções alternativas aos sacos plásticos com as cadeias de distribuição.
O Explicador Renascença esclarece.
Sim, é essa a intenção expressa pela ministra do Ambiente. Os sacos de plástico leves - aqueles que usamos diariamente para pão, fruta, legumes ou pastelaria - vão ser retirados das superfícies comerciais e substituídos por alternativas feitas de outros materiais.
A decisão surge após anos de tentativas de reduzir o consumo deste tipo de plástico, que continua a ser um dos resíduos mais encontrados no lixo indiferenciado e no ambiente.
A medida está ainda a ser negociada com os retalhistas, mas o objetivo é que a substituição aconteça rapidamente.
Ainda não há uma data, mas a ministra Maria da Graça Carvalho diz que espera que isso aconteça a breve prazo.
Para evitar um impacto imediato no bolso dos consumidores, a ministra garantiu que os novos sacos serão gratuitos pelo menos no início, numa fase de transição.
O Governo quer evitar novas taxas e prefere apostar numa mudança estrutural de hábitos, com a colaboração direta das empresas.
A eliminação dos sacos de plástico leves insere‑se num pacote de dez medidas ambientais apresentadas pelo Governo, que pretende acelerar a transição para modelos de consumo mais sustentáveis.
Em 2024, estava previsto um imposto de quatro cêntimos sobre estes sacos, mas nunca chegou a ser aplicado. O Ministério do Ambiente considera que a solução fiscal não seria suficiente para alterar comportamentos e que a substituição direta por materiais alternativos é mais eficaz.
Além disso, Portugal continua a ter dificuldades no cumprimento de metas europeias de redução de resíduos plásticos. Os sacos leves, por serem baratos e descartáveis, têm taxas de reutilização muito baixas e representam um problema ambiental significativo.
Ainda não se sabe. A ministra do Ambiente diz estar a trabalhar com as empresas do setor para identificar materiais que sejam mais sustentáveis, mas também adequados ao contacto com alimentos frescos.
Entre as hipóteses que têm sido discutidas no setor - embora não confirmadas oficialmente - estão sacos de papel reforçado, biopolímeros compostáveis ou materiais reutilizáveis de baixo custo.
A escolha final vai dependerá de critérios como segurança alimentar, resistência, impacto ambiental e capacidade de produção. O Governo quer evitar soluções que pareçam ecológicas mas que, na prática, tenham uma pegada ambiental semelhante ou superior ao plástico leve.
É já a partir de 10 de abril. Entra em vigor um sistema de depósito e reembolso para embalagens de plástico e latas, inspirado no antigo modelo do vasilhame que existia para o vidro.
Por cada embalagem devolvida - seja garrafa de água, refrigerante ou lata de bebida - o consumidor recebe 10 cêntimos. Haverá 2.500 máquinas espalhadas por todo o país para depositar estes resíduos.
O vidro fica de fora. Continua a ser recolhido nos ecopontos tradicionais.