15 jan, 2026 • Sérgio Costa
É uma das notícias da semana e pode ser um dos negócios do ano: a junção de ativos empresariais entre a Galp e a espanhola Moeve.
O Explicador Renascença esclarece.
É importante dizer que não é certo que esta mudança aconteça, porque as duas empresas ainda só estão em fase de negociação.
Uma decisão final só deve ser conhecida a meio deste ano.
Mas para já, o que está previsto é que a Galp e a Moeve juntem algumas partes dos seus negócios e criem duas novas empresas: uma para o retalho, ou seja, os postos de abastecimento e outra para a Indústria - que inclui as refinarias e a produção dos petroquímicos.
O objetivo é no fundo, criar uma grande empresa que consiga concorrer na europa e no mundo.
Como a Moeve é "maior" que a Galp no negócio das refinarias, os Espanhois devem ficar com maioria do capital no braço industrial da empresa.
Nos postos de abastecimento, têm as duas uma dimensão semelhante, e por isso ficam com fatias iguais desse setor.
Não, a marca Galp vai manter-se em Portugal e até expandir. A Moeve é que desaparece - e todas as bombas de gasolina da antiga Cepsa passam a operar sob o nome da Galp.
Em Espanha, acontece exatamente o contrário - Deixa de existir Galp e a Moeve passa a ser a marca exclusiva do grupo no país vizinho.
Agora, na indústria, é diferente . A Galp passa a deter apenas 20% da refinaria de Sines, mas a empresa portuguesa já veio garantir que vai continuar a participar das decisões estratégicas.
A ministra do ambiente já veio dizer que, "à partida" um acordo entre a Galp e a Moeve seria positivo, porque traz maior capacidade de investimento, influência industrial, e projeção internacional.
Já o ministério da economia e da coesão diz que está a acompanhar de perto o negócio e aqui há um detalhe que o pode fazer tremer: A Moeve é detida pelo fundo soberano de Abu Dhabi, e quando tratamos de ativos importantes - há mecanismos legais, que permitem aos governos travarem uma transação que comprometa a segurança ou a economia nacional.
É incerto. Sabemos apenas que essa hipotético novo grupo fará frente á líder de mercado na península Ibérica que é a Repsol, mas nada há de concreto sobre os efeitos para os consumidores