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Inteligência Artificial nas escolas. Uma distração ou ajuda para os alunos?

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Inteligência Artificial nas escolas. Uma distração ou ajuda para os alunos?

19 jan, 2026 • João Maldonado


No Explicador Renascença da tarde desta segunda-feira, esclarecemos as conclusões do novo estudo da OCDE sobre a utilização da Inteligência Artificial na aprendizagem dos alunos, os riscos associados, a reação do Governo e a dos professores.

O uso da Inteligência Artificial (IA) no ensino é um tópico cada vez mais discutido nas escolas portuguesas, já que estas ferramentas estão a ser cada vez mais utilizadas pelos alunos.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou esta segunda-feira um estudo com novas conclusões relativas a esta tecnologia, tentando perceber se pode ser benéfica e quais os riscos associados. Mas quais são as principais conclusões?

O Explicador Renascença esclarece.

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Os alunos ficam mais preguiçosos com IA?

Algumas pessoas e professores associam o uso de IA nos momentos de ensino como uma atividade mais desleixada ou preguiçosa.

Em causa pode estar um fenómeno a que o estudo chama "preguiça metacognitiva": a preferência por respostas rápidas e diretas, ao invés de um raciocínio mais lento e esforçado.

Porém, esta tal preguiça pode ser perigoso tanto para alunos como para professores.

E quem usa a IA como atalho e não como ferramenta de apoio? Pode perder capacidades cognitivas?

De acordo com o mesmo estudo, uma dependência excessiva destas ferramentas até pode fazer com que os alunos aumentem a taxa de cumprimento de tarefas escolares, mas não é garantido que isso corresponda a uma aprendizagem efetiva das matérias.

Contudo, também é deixado um aviso de cautela para os professores. Caso fiquem demasiado dependentes destas tecnologias para preparar aulas, os docentes podem piorar o grau de autonomia e o profissionalismo, não sendo capazes de realizar tarefas sem este apoio digital.

Como é que o estudo chegou a estas conclusões?

Para os resultados deste estudo, uma das experiências aconteceu nos Estados Unidos da América (EUA). A organização pediu a estudantes de cinco universidades norte-americanas que, em 20 minutos, escrevessem um ensaio.

Foram separados em três grupos: o primeiro tinha de fazer o trabalho sem qualquer tipo de ajuda, o segundo podia usar um motor de busca na internet e um terceiro grupo poderia usar uma ferramenta de Inteligência Artificial, neste caso o ChatGPT.

Concluída a avaliação, o grupo que usou Inteligência Artificial teve melhor classificação. Contudo, uma hora depois de terem terminado, apenas 12% destes alunos conseguiram citar de memória um excerto do que tinham acabado de escrever. Por outro lado, dos alunos que não usaram esta ferramenta, 89% foi capaz de citar uma parte do trabalho.

Apesar destes riscos, quais as potencialidades indicadas pela OCDE?

A recomendação é que o uso seja cauteloso e sempre como apoio à aprendizagem, ou seja, nunca como método de substituição.

Reconhecendo que a tecnologia já está a ajudar a dar grandes passos na investigação científica, a OCDE recomenda uma aposta na formação de profissionais capazes de trabalhar com estas ferramentas, fugindo à tal "preguiça metacognitiva".

O estudo indica também que, ao nível da gestão escolar, a tecnologia pode ser muito benéfica. Em específico, pode ser uma ajuda nas tarefas administrativas, como admissões ou equivalencias entre disciplinas.

Por cá, o Governo já reagiu ao estudo?

Questionado sobre este estudo, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, diz que a IA não pode ser ignorada e que as escolas têm de se adaptar a esta nova realidade. Para o governante, esta adaptação pode ser feita através da formação de professores e da alteração dos métodos de ensino.

Fernando Alexandre acredita que, com as estratégias adequadas, os riscos podem ser minimizados e os benefícios maximizados.

E os professores concordam?

Há já um manifesto a circular em Portugal assinado por professores que pedem a proibição de IA em universidades e politécnicos.

Estes professores dizem-se incapazes de detetar práticas fraudulentas e que as instituições de ensino, com receio de perder o comboio do progresso, estão a permitir que os alunos se transformem em "cretinos digitais", com muito pouca curiosidade intelectual.

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