23 jan, 2026 • Alexandre Abrantes Neves
Eleito há 10 anos, o Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, fez questão de entregar várias condecorações a cidadãos e entidades nacionais durante a posse e estadia em Belém.
Nos últimos anos, contam-se mais de duas mil e duzentas. Quem são os condecorados? Marcelo excedeu-se nestas medalhas em comparação com os anteriores PR? E as polémicas?
O Explicador Renascença esclarece.
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A maioria das medalhas foi entregue a cidadãos portugueses e entidades nacionais. Por opção de Marcelo, as cerimónias eram mantidas em privado, sem divulgação prévia e sem a presença de jornalistas.
De acordo com a informação disponível online no portal das Ordens Honoríficas Portuguesas, Marcelo entregou exatamente 2.260 insignias até dezembro do ano passado.
Isto é, entregou à volta de 750 no primeiro mandato, entre 2016 e 2021, e as restantes 1.180 desde 2021 até dezembro de 2025.
De forma geral, os antecessores de Marcelo entregaram mais medalhas ao longo do mandato. Apenas Cavaco Silva andou na mesma grandeza que Marcelo, já que, entre 2006 e 2016, entregou 2.320 condecorações.
Antes de Cavaco, os outros presidentes eleitos em democracia optaram por entregar um número bem mais elevado de medalhas.
Mário Soares lidera o pódio, com mais de 5 mil condecorações, logo em seguida Ramalho Eanes que - entre 1976 e 1986 - entregou 4.990 condecorações, sendo que mais de metade destas foram atribuídas a cidadãos estrangeiros.
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Em 2016, poucas semanas depois de tomar posse, vários jornais noticiaram que Marcelo Rebelo de Sousa pretendia reduzir o número de condecorações e atribuir medalhas apenas para feitos excecionais.
Apesar de isso não se ter verificado, a verdade é que o atual PR começou bem posicionado para quebrar recordes: em 2016, nos primeiros nove meses de Presidência, Marcelo condecorou 145 pessoas, acima de qualquer outro PR.
A maioria das condecorações foi entregue a pessoas com nacionalidade portuguesa, inclusive a personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade.
Assim sendo, Marcelo condecorou apenas cerca de 350 cidadãos oriundos de outros países, o que faz dele o PR que menos distinções atribuiu a estrangeiros.
Em particular, na área das artes, Marcelo condecorou, por exemplo, os escritores José Saramago e Sophia de Mello Breyner, mas também não se esqueceu dos seus quatro antecessores, entregando-lhes algumas das mais importantes insígnias.
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De entre as polémicas que marcaram estes eventos, recorde-se de uma relacionada à revolução dos cravos. Em 2021, Marcelo disse que iria condecorar todos os militares envolvidos na revolução do 25 de abril. Por isso, em 2024, decidiu entregar - a título póstumo - a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a António de Spínola.
Spínola foi o primeiro PR depois da revolução, mas também responsável em 1975 por organizar a tentativa de golpe de Estado do 11 de março contra o Movimento das Forças Armadas.
Porém, esta entrega de uma das mais importantes insignias a Spínola gerou muita polémica, porque foi feita numa cerimónia reservada sem nenhum comunicado por parte de Belém e apenas introduzida mais tarde no registo oficial.