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Trump sonha com um sistema de defesa aérea na Gronelândia. O que é a "Cúpula Dourada"?
Ouça aqui o Explicador Renascença da tarde desta segunda-feira. Foto: Mads Claus Rasmussen/EPA

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Trump sonha com um sistema de defesa na Gronelândia. O que é a "Cúpula Dourada"?

26 jan, 2026


No Explicador Renascença da tarde desta segunda-feira, explicamos porque é que Donald Trump considera a Gronelândia como um território vital para a defesa norte-americana, o que é a chamada "Cúpula Dourada" e os orçamentos multimilionários planeados.

Desde o início do novo mandato, o Presidente norte-americano, Donald Trump, planeia construir um sistema de defesa antiaérea para defender os Estados Unidos da América (EUA).

Nestes planos, a Gronelândia é considerada essencial para Trump. O sistema e os custos que implicam já são alvo de polémica.

O Explicador Renascença explica.

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O que é a "Cúpula Dourada"?

Inspirada no sistema que existe em Israel e que conhecido como "Cúpula de Ferro", a construção deste sistema de defesa norte-americana foi uma das primeiras decisões tomadas por Donald Trump.

O objetivo é proteger os EUA contra mísseis balísticos e hipersónicos, recorrendo a satélites espaciais. O presidente norte-americano quer que esteja operacional em 2029, no final deste seu mandato.

Como funciona?

A "Cúpula Dourada" é um sistema de defesa antiaérea de várias camadas, com tecnologias de próxima geração.

O conceito inclui a integração de armas em terra, no mar e no espaço para defender os Estados Unidos de mísseis lançados por outro países, independentemente do tipo de míssil e da sua origem geográfica, incluindo lançamentos espaciais.

Estas funcionalidades obrigam a instalação de sistemas de defesa na órbita da Terra. Na prática, a "Cúpula Dourada" seria o primeiro sistema de defesa a operar no espaço, utilizando satélites para intercetar mísseis em todas as fases do voo: pré-lançamento, lançamento inicial, meio curso e descida.

E isto é possível?

O sistema já está a ser montado, mas levanta dúvidas a alguns entendidos. Por exemplo, um especialista em armas nucleares, Jeffrey Lewis, diz que o sistema tem uma janela reduzida de tempo - cerca de um minuto apenas - para intercetar um míssil depois da sua deteção e dar ordem de destruição.

Por outro lado, o especialista alerta para os custos implicados, já que a substituição anual dos satélites poderá chegar aos 40 mil milhões de dólares (cerca de 33.700 milhões de euros).

Qual é o orçamento final?

Até agora, os EUA gastaram mais de 24 mil milhões de dólares e este ano estão previstos mais 13 mil milhões de dólares para contratos da Força Espacial com empresas de defesa.

A Casa Branca projetou um orçamento de 175 mil milhões de dólares (147 mil milhões de euros) para o programa, mas o Gabinete de Orçamento do Congresso estima que a fatura final seja, pelo menos, três vezes maior, da ordem dos 542 mil milhões de dólares (456 mil milhões de euros).

Porquê a Gronelândia?

A localização da Gronelândia dá-lhe uma importância estratégica, uma vez que muitas das rotas de voo mais curtas de mísseis entre China, Rússia e EUA passam precisamente sobre a região. Pode, por isso, ser o local-chave para a instalação dos interceptores do sistema.

De resto, a região conta com uma rede de radares de alerta precoce que funcionam como os “olhos” do Pentágono para detetar qualquer ataque.

O radar mais a norte encontra-se precisamente na Base Espacial de Pituffik, que os Estados Unidos têm na ilha, e que é um dos poucos locais no planeta que consegue comunicar com toda a constelação de satélites necessária.

Recorde-se que Trump recuou com a intenção de aplicar tarifas à UE e entendeu-se, alegadamente, com a NATO na última semana.

Isso muda alguma coisa?

Para o projeto “Cúpula Dourada” não. Aliás, segundo o secretário-geral da NATO, as negociações versam apenas questões de segurança e medidas que assegurem que os chineses e os russos não ganham acesso económico ou militar à Gronelândia.
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