27 jan, 2026 • André Rodrigues
Há um vírus que volta a preocupar as autoridades asiáticas. Chama-se Nipah e tem surtos ativos na Índia e na Tailândia. Pode vir aí uma nova pandemia?
É prematuro falar nesse cenário. Os especialistas admitem que, apesar da gravidade dos sintomas, o vírus Nipah nunca se espalhou globalmente desde que foi descoberto em 1999. O surto que agora temos na Índia e na Tailândia não apresenta, por agora, sinais de disseminação global. Se isso é uma boa notícia, já o motivo não é tão bom: o Nipah é um vírus altamente contagioso, mas tem uma elevada letalidade, o que tende a limitar a propagação, porque reduz o período em que um doente pode transmitir o vírus.
Já há vacina?
Não. E, por isso, a vigilância de sintomas torna-se ainda mais essencial. Este vírus transmite-se de animais para seres humanos e depois é transmissível entre humanos. O foco de preocupação está sobretudo na Índia, onde foi confirmada uma morte e, pelo menos, quatro novas infeções perto de Calcutá. É importante sublinhar que este vírus não é novo. Foi identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia e em Singapura, após um surto entre criadores de suínos que rapidamente passou para humanos. Desde essa altura, registaram-se alguns surtos. Todos no continente asiático.
Como se transmite o Nipah?
Inicialmente, através do contacto direto com animais infetados, sobretudo morcegos e porcos. Entre humanos, o contágio pode acontecer por gotículas respiratórias, contacto próximo ou exposição a fluidos corporais. Há ainda registo de infeções associadas ao consumo de alimentos contaminados por secreções de morcegos.
Esta combinação de vias de transmissão torna o vírus particularmente difícil de controlar sem medidas rápidas de contenção.
Quais são os sintomas?
A infeção pode variar entre casos assintomáticos e quadros muito severos. Um pouco como aconteceu com a Covid. Os primeiros sinais são muito semelhantes aos de uma gripe: febre, dores de cabeça, vómitos, dor de garganta, dor muscular e dificuldades respiratórias.
Nos casos mais graves, o Nipah pode provocar encefalite - uma inflamação do cérebro - que se manifesta com tonturas, sonolência, alterações da consciência e sinais neurológicos.
A progressão pode ser rápida, podendo mesmo levar ao coma em 24 a 48 horas.
Que medidas estão a ser tomadas na Índia e na Tailândia?
Na Índia, as autoridades ativaram o rastreio de contatos, quarentenas preventivas e equipas de vigilância epidemiológica na região de Calcutá, que é a mais afetada. Isto para travar cadeias de transmissão antes que se tornem incontroláveis. Já a Tailândia reforçou os controlos sanitários nos aeroportos para passageiros provenientes da Índia, com exames destinados a detetar sinais de infeção antes da entrada no país.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde já emitiu algum alerta?
Não existe, por agora, qualquer alerta ou orientação específica sobre o vírus Nipah. Portugal não regista casos e não há indicação de circulação do vírus no espaço europeu. Por isso, nesta altura, a Direção-Geral da Saúde acompanha a monitorização que está a ser feita Centro Europeu de Controlo de Doenças, que classifica o Nipah como um vírus de elevada letalidade, mas com transmissão limitada e surtos localizados. Portanto, sem alarmismo, mas com toda a atenção.