28 jan, 2026 • André Rodrigues
Portugal está a ser atravessado pela tempestade Kristin.
É uma combinação de chuva intensa, muito frio, neve em cotas mais baixas e vento muito forte. Aquilo a que a Proteção Civil chama de ciclogénese explosiva.
O Explicador Renascença.
É uma tempestade que se forma demasiado rápido, em que a pressão atmosférica cai de forma abrupta, os ventos intensificam‑se rapidamente e o mau tempo ganha força num curto espaço de tempo.
É também conhecido como ciclone-bomba que surge quando várias depressões atmosféricas interagem entre si. É precisamente o que está a acontecer nesta altura.
Saímos de um fim de semana com a depressão Joseph e já outra estava a caminho, a Kristin que está a afetar todo o território continental.
Acontece quando massas de ar muito diferentes — quente e fria — se encontram sobre o mar. Essa diferença cria instabilidade e acelera a formação da depressão.
Em poucas horas, o sistema ganha rotação e força. E a evolução chega a ser tão rápida que dificulta a previsão e pode surpreender os meteorologistas mais experientes.
Porque a queda repentina da pressão atmosférica funciona como uma espécie de aspirador, em que o ar se desloca muito rapidamente para preencher essa baixa pressão.
Portanto, quanto mais rápida a queda, mais violentos os ventos. Daí as tais rajadas que podem chegar ou ultrapassar os 140 quilómetros por hora.
Porque o Atlântico Norte é uma espécie de autoestrada para estas depressões.
No inverno, o contraste de temperaturas é maior e favorece a formação de ciclogéneses explosivas que depois atingem a Península Ibérica.
Chuva intensa, muitas vezes persistente. Neve nas terras altas, devido ao ar frio associado. Vento muito forte que pode derrubar árvores, danificar estruturas e criar forte agitação marítima. Possibilidade de inundações rápidas e cortes de energia em zonas onde possa ocorrer derrube de linhas de tensão.
Não é um fenómeno novo em Portugal. O país já enfrentou vários episódios de ciclogénese explosiva no passado, sobretudo no outono e inverno.
São fenómenos que tendem a afetar mais o litoral e as regiões montanhosas, onde o vento e a precipitação ganham intensidade.