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O que explica o impacto da tempestade Kristin?

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O que explica o impacto da tempestade Kristin?

28 jan, 2026 • João Maldonado


No Explicador da tarde desta quarta-feira, esclarecemos qual foi a rajada mais forte, o que explica o nível da neve e chuva nas últimas horas e o que se espera nas próximas horas com a passagem da depressão Kristin por Portugal.

Nas últimas horas, quatro pessoas morreram com a passagem da depressão Kristin, dezenas de estradas estão cortadas, milhares de pessoas estão sem luz e comboios estão suspensos.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinha que "todas as orientações" da Proteção Civil "devem ser acatadas". Mas a que se deve esta tamanha devastação?

O Explicador Renascença esclarece.

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O que explica o impacto desta tempestade?

A própria violência da depressão Kristin deve-se especialmente ao vento, que atingiu na madrugada desta quarta-feira valores considerados de exceção para o que costuma acontecer em Portugal.

As autoridades tinham avisado, mas a verdade é que a violência que o vento atingiu é considerada rara e nalguns casos superou mesmo os 140 quilómetros por hora que estavam previstos.

Aliás, a depressão Kristin é considerada uma tempestade de vento pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), na medida em que é o fenómeno que mais impacto está a ter dentro dos parâmetros analisados.

Qual foi a rajada mais forte? Onde aconteceu?

Dos registos já apurados, a rajada de vento mais forte registada nas estações meteorológicas que pertencem ao IPMA foi de 149 quilómetros por hora. Aconteceu entre as três e as quatro da manhã no Cabo Carvoeiro, em Peniche.

No entanto, nas estações da Força Aérea Portuguesa foi registada uma rajada ainda mais violenta de 178 km/hora, pelas cinco da manhã, na Base Aérea de Monte Real, também no distrito de Leiria.

Até no Algarve, habitualmente mais poupado a estes fenómenos, a estação do IPMA em Monchique registou uma rajada de 135 km/hora entre as seis e as sete da manhã.

São valores acima da média?

O IPMA fala em rajadas com impacto destrutivo, com uma força muito mais elevada do que o habitual e que se destacam nos registos de arquivo da instituição.

Os valores não são ainda definitivos, mas uma em cada cinco estações meteorológicas do IPMA, colocadas em regra a 10 metros de altura, podem ter atingido valores recorde para o mês de janeiro na intensidade do vento.

Algumas estações podem mesmo ter chegado ao valor mais alto dos últimos 15 anos: são os casos de Cabo Carvoeiro, Ansião, Leiria ou Castelo Branco.

A comparação é feita com a chamada Tempestade do Oeste que ocorreu em 2009. Na altura, foi registada em Torres Vedras uma rajada de vento de 142 quilómetros por hora, mas também a depressão Leslie em 2018 teve rajas na ordem dos 170 quilómetros por hora.

Já no ano passado a depressão Martinho que atingiu o território português registou igualmente uma rajada de 169 quilómetros por hora no Cabo da Roca, mas o IPMA ainda não consegue dizer se a proximidade entre a depressão Martinho e a Kristen pode querer dizer que estes fenómenos são cada vez mais normais.

E a neve no interior Norte e Centro também é uma exceção?

O nevão nas regiões do interior são uma excepção à regra, segundo o IPMA, porque é comum que caiam quantidades expressivas de neve a 1.200 metros de altitude.

Contudo, desta vez a neve ficou acumulada a alturas bem mais baixas, inclusive em regiões a cerca de 600 metros de altitude.

E a chuva?

Os níveis de chuva devem aumentar nas próximas horas, mas os valores registados até ao momento são, para o IPMA, considerados comuns para esta época do ano.

Trata-se de uma situação de Inverno típica por todo o país, mas não foi pela chuva que esta tempestade foi espacialmente destrutiva.

O que se espera nas próximas horas?

Espera-se um novo agravamento do estado do tempo. Depois de uma breve melhoria, a situação deve voltar a piorar nas próximas horas, especialmente nas zonas Centro e Norte.

Estão emitidos avisos amarelos para Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu, Aveiro, Porto Braga, Viana do Castelo e Vila Real por causa da precipitação. Guarda e Castelo Branco estão sob o mesmo aviso pela chuva, mas também pela neve.

O vento vai, em geral, aumentar de intensidade durante a noite, mas para valores não tão altos como os que foram registados na última madrugada. As rajadas não devem chegar aos 100 km/hora.

Segundo o IPMA, com a precipitação que tem ocorrido desde Novembro, os solos estão saturados e a capacidade de fixação das árvores está mais limitada, o que pode contribuir para que muitas possam cair.

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