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Sarampo cresce na Europa. Qual é a situação de Portugal?
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Sarampo cresce na Europa. Qual é a situação de Portugal?

28 jan, 2026 • Anabela Góis


Vários países europeus, entre os quais Espanha e Reino Unido, deixaram de estar livres desta doença e há outros 13 onde o vírus já circula de forma regular, segundo a OMS.

No Explicador Renascença desta terça-feira falamos da chamada "hesitação vacinal", que está a fazer ressurgir vírus que já não nos preocupavam. É o caso do sarampo.

Vários países europeus, entre os quais Espanha e Reino Unido, deixaram de estar livres desta doença e há outros 13 onde o vírus já circula de forma regular.

Estamos a falar de uma doença para a qual há vacina. O sarampo é provocado por um vírus altamente contagioso e pode levar à morte.

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De onde vêm estes alertas?

Da Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão de retirar o estatuto de país livre de sarampo a certos países europeus já tinha sido tomada em setembro, na sequência dos dados de 2024, mas só esta terça-feira foi anunciada porque é necessária a aprovação dos países envolvidos.

Que países é que deixaram de estar livres de sarampo?

Para além de Espanha e do Reino Unido, também Áustria, Arménia, Azerbaijão e Uzbequistão já não estão livres de sarampo, e o vírus apresenta circulação regular em 13 países europeus. É o caso de França que registou quase 500 casos, da Alemanha com mais de 600 e de Itália, que notificou mais de mil.

Significa que os casos de sarampo dispararam…

Aumentaram de forma exponencial, sim. Praticamente todos os 28 países europeus analisados notificaram atividade de sarampo em 2024. Letónia e Liechtenstein foram as excepções: com zero casos. No pólo oposto encontra-se a Roménia com mais de 30 mil infeções.

No total foram notificados 35.212 casos de sarampo, 10 vezes mais do que em 2023 e um valor superior ao registado antes da pandemia.

Qual é a situação de Portugal?

Portugal é reconhecido como país livre de sarampo desde 2015, graças à elevada cobertura vacinal, estatuto que ainda mantém, apesar de ter registado 35 casos em 2024.

Portugal é, de resto, um dos quatro únicos países europeus analisados que atingiram os 95% de vacinação com a segunda dose, a par da Hungria, Malta e Eslováquia.

Os números de Portugal continuam a ser bastante confortáveis: temos 98% de vacinados com a primeira dose, e 95% com a segunda.

O problema noutros países é mesmo a falta de vacinação…

Exatamente. Para manter o sarampo controlado, as taxas de vacinação devem ser superiores a 95%, segundo as estimativas da OMS.

No Reino Unido, por exemplo, só 84,4% das crianças receberam as duas doses necessárias para uma proteção completa. E dez países mostram tendência decrescente de vacinação: incluindo a Croácia, Finlândia, Países Baixos, Noruega e Roménia, entre outros.

E quem é que é mais afetado com a doença? Crianças ou adultos?

São os bebés com menos de um ano. Seguiu-se a faixa etária dos 1 aos 4 anos, enquanto os maiores de 14 anos representaram 26% do total.

Dos 23 óbitos por sarampo notificados em 2024 - 22 dos quais na Roménia - 14 ocorreram em crianças com menos de cinco anos.

E perante estes dados qual é a recomendação da OMS?

É, naturalmente, aumentar as taxas de vacinação do sarampo e não basta ficar pelas crianças: a Organização Mundial da Saúde diz que são necessários esforços acelerados para aumentar a cobertura vacinal e a adesão tanto à imunização infantil de rotina, como às campanhas de recuperação em adolescentes e adultos, que não foram vacinados no passado.

Outra recomendação passa por uma vigilância contínua e investigação rápida de surtos, para monitorizar de perto a epidemiologia do sarampo e identificar e colmatar falhas de imunidade na população.

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