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Depressão Leonardo. Como vão ser geridas as próximas cheias?
Ouça o Explicador Renascença. Foto: Rui Minderico/Lusa

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Depressão Leonardo. Como vão ser geridas as próximas cheias?

03 fev, 2026 • Anabela Góis


No Explicador da Renascença da tarde desta terça-feira, esclarecemos qual é o risco de cheios no rio Mondego, até que ponto as regiões mais afetadas pela depressão Kristin também estão em risco e o que se pode esperar da depressão Leonardo.

O carrossel de tempestades que tem atravessado a Península Ibérica está a pressionar os sistemas hídricos nacionais.

Quase uma semana depois do impacto da Depressão Kristin, vem aí a nova tempestade Leonardo ao final desta terça-feira.

Neste inverno particularmente chuvoso, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) diz estar preocupada com o rio Mondego. Até que ponto o risco de novas cheias é significativo?

O Explicador Renascença esclarece.

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Qual é o risco de cheias no rio Mondego?

As cheias no Mondego são muito difíceis de gerir. Enquanto noutras bacias, como no Douro, é possível antecipar a subida das águas e ir fazendo ajustes, com descargas faseadas das barragens.

O Mondego corre entre diques e a subida da água pode deslocar rapidamente grandes massas de água.

Para evitar este cenário, a APA está a monitorizar os caudais em permanência e a fazer descargas controladas. As barragens foram esvaziadas no máximo possível e, se por acaso o açude atingir o limite, há um plano para retirar as pessoas que vivem nas zonas inundáveis.

Se houver risco, os autarcas garantem que estão preparados e vão por o plano em marcha mal sejam avisados.

Não seria melhor pensar já numa intervenção para evitar o pior no futuro?

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, garante que isso está previsto.

Até março, vai ser lançado o concurso para a construção da barragem de Girabolhos, na confluência dos concelhos de Seia, Nelas, Mangualde e Gouveia, que já esteve prevista no passado.

O que se pode esperar da depressão Leonardo?

A nova tempestade vai trazer mais chuva e também vento que pode chegar aos 100 quilómetros por hora.

A depressão Leonardo entra pelo sudoeste algarvio e pode afetar uma zona particularmente sensível, tendo em conta que as albufeiras algarvia, como Odelouca, Funcho, Arade e Bravura, já estão em níveis muito elevados.

E as regiões mais afetadas pela depressão Kristin também estão em risco?

A tempestade tem passagem prevista em todo o país. No caso da zona Centro, a APA está a monitorizar a bacia do rio Liz que também já está com um caudal acima do habitual.

A manter-se assim, mesmo que não afete a zona urbana, todo os campos desde a cidade de Leiria até Vieira de Leiria ficam em risco de inundações,

Os operacionais da Proteção Civil estão particularmente atentos a estas localidades.

E as descargas dos espanhóis também não ajudam?

A depressão Kristin também encheu as albufeiras do país vizinho e Espanha está a abrir as comportas, aumentando o caudal que entra em território português.

Nas próximas horas, devem ser lançados cerca de 1.500 metros cúbicos por segundo em Cedillo, cidade que faz fronteira com o conselho de Nisa, Portalegre, o que resultará numa maior quantidade de água a circular no Tejo.

Para minimizar o impacto das cheias, a APA está a regular as barragens do Zêzere, Castelo de Bode e Cabril para tentar evitar cheias descontroladas.

Ainda assim, os terrenos agrícolas na margens do Tejo, como é o caso da zona da Golegã, estão inundados.

As descargas deveriam ter começado mais cedo?

A APA garantiu que as descargas foram feitas atempadamente e disse que a prova é que, até agora, as cheias afetaram campos agrícolas, mas não puseram pessoas em risco.

Ainda assim, a agência do ambiente reconheceu que é difícil manter funcional a rede de monitorização que inclui 800 estações automáticas espalhadas pelos rios portugueses. Muitas são vandalizadas, seja por caçadores que disparam sobre os painéis solares seja por causa dos roubos de cobre.
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