03 fev, 2026 • André Rodrigues
Parece que nunca mais acabam. As tempestades de Inverno vieram mesmo para ficar.
Depois da Kristin, o país prepara-se para a chegada de mais uma depressão. Desta vez é o Leonardo e pode provocar chuva intensa e muito prolongada.
O Explicador Renascença esclarece.
Depende. Em termos de vento, nem tanto, porque a depressão Kristin foi marcada por ventos fortes e muito destrutivos; já a tempestade Leonardo pode produzir chuva mais intensa e persistente, mas vento menos forte do que o registado com a depressão Kristin.
O problema é que esta chuva em quantidades excecionais pode gerar impactos graves relacionados com inundações, cheias rápidas e ainda mais saturação de água nos solos, o que pode potenciar episódios como deslizamentos de terras.
Por isso, se por um lado temos menos vento como o que provocou o cenário de destruição na região centro, por outro lado teremos muito mais chuva a cair sobre solos que já não conseguem absorver mais água.
Até 90 milímetros no espaço de 24 horas, sobretudo nas regiões montanhosas do Norte e do Centro.
E entre 40 e 50 milímetros no espaço de 24 horas no Sul. O que é que isto significa? É o equivalente a três dias de chuva típica de inverno, mas concentrados num único dia.
Com solos já saturados, isso aumenta a probabilidade de cheias rápidas, inundações urbanas e transbordo de linhas de água.
Em relação ao vento, vai ser forte - com rajadas de 90 a 100 quilómetros por hora nas terras altas. Apesar de não atingir os extremos da depressão Kristin, há infraestruturas que já estão fragilizadas, o que aumenta o risco de quedas de árvores, danos estruturais e falhas de energia.
A partir do final da tarde/noite desta terça-feira. E vai evoluir de sul para norte.
Nesta altura, a depressão está a formar-se a norte dos Açores e o impacto máximo vai ser sentido já na madrugada de quinta-feira.
Vai afetar todo o território nacional, mas com maior intensidade no Centro e no Norte, para onde se preveem os maiores valores acumulados de chuva.
Pode manter-se até meados de fevereiro. Estamos naquilo a que os especialistas chamam de "comboio de tempestades" - umas atrás das outras - porque temos um padrão atmosférico que favorece este tipo de evento.
Por causa da associação entre o anticiclone dos Açores, que está deslocado para sul e a corrente de jato alinhada sobre os Açores e a Península. Tecnicamente explica-se assim.
Na prática, é um padrão que funciona como uma autoestrada de depressões empurradas sucessivamente para Portugal. E, nesta altura, esta circulação atmosférica permanece estável e persistente.
Isto significa que, mesmo que a intensidade de cada episódio varie, o cenário de chuva frequente, instabilidade e risco hidrológico elevado deverá continuar por mais algumas semanas.