04 fev, 2026 • André Rodrigues
Faz esta quarta-feira uma semana desde que a depressão Kristin chegou a Portugal, deixando um rasto enorme de destruição na região Centro, sobretudo em Leiria.
Portugal prepara-se agora para o impacto de mais uma tempestade, mas no terreno há muitos ainda a ter de lidar com os estragos da semana passada.
O Explicador Renascença esclarece.
Ainda não existe um número oficial para o prejuízo total. Mas um levantamento preliminar sugere que, só na região Oeste, as perdas serão da ordem dos 100 milhões de euros.
Mas este é um valor inicial. Pode ser superior.
Sendo que as áreas da energia e das infraestruturas são as que apresentam estragos mais significativos. Exemplo disso, é o facto de ainda haver milhares de pessoas sem eletricidade e sem telecomunicações.
De acordo com o mais recente balanço da E-Redes, ainda são mais de 100 mil os clientes sem energia em casa. Sobretudo na região de Leiria.
Mas há também situações de falha de eletricidade em Santarém, Castelo Branco e Coimbra.
No pico inicial da crise, chegaram a estar mais de 850 mil clientes sem energia.
O Executivo aprovou um pacote de 2,5 mil milhões de euros em apoios à reconstrução, moratórias e linhas de crédito.
Há também verbas específicas para infraestruturas públicas: por exemplo, 400 milhões para estradas e ferrovia, através da Infraestruturas de Portugal; e ainda 200 milhões de euros para a CCDR Centro, a transferir para os cofres dos municípios afetados.
O estado de calamidade, inicialmente previsto até 1 de fevereiro, foi prolongado por uma semana, até dia 8.
Coordena a resposta e a recuperação após a tempestade. É, no fundo, o quartel-general que articula ministérios, Proteção Civil, autarquias, CCDR, setor social e empresas para acelerar decisões e evitar duplicações de esforços.
O objetivo é acelerar a reconstrução e o restabelecimento de infraestruturas críticas, apoiando cidadãos e empresas no terreno, no quadro da ajuda de 2,5 mil milhões de euros aprovados pelo Governo.
A estrutura de missão é liderada por Paulo Fernandes, antigo presidente da Câmara do Fundão, e está pensada para funcionar durante o tempo que seja necessário, até estabilizar a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin.
De acordo com as Forças Armadas, desde 28 de janeiro já estiveram no terreno mais de mil soldados em apoio direto às populações.
Inicialmente, eram 240. Mas, face à dimensão da catástrofe, o número foi aumentando progressivamente.
Se necessário, o Governo também já disse que o número de militares no terreno pode ir até aos três mil.
A principal função, nesta altura, continua a ser a desobstrução e limpeza de vias; reparações de emergência em habitações e equipamentos; colocação de geradores em serviços críticos e apoio à E-Redes para avaliar o estado da rede elétrica; apoio às comunicações de emergência.
E ainda apoio direto às populações, com alojamento e alimentação, para pessoas desalojadas.
Depende de uma série de fatores: restabelecimento da energia e das comunicações; rapidez das peritagens de seguros e acesso a liquidez para reparações.
Governo e seguradoras querem 80% das peritagens concluídas em 15 dias, permitindo ativar indemnizações e avançar com obras urgentes.
Para liquidez imediata, há uma linha de tesouraria de 500 milhões com spread zero e garantia pública.
Além disso, foram aprovadas moratórias e isenções que aliviam tesouraria no arranque da recuperação. E as obras de reconstrução estão dispensadas de licenciamento em regime excecional.