explicador Renascença
Há quatro anos, a guerra voltou à Europa. Em que ponto está o conflito na Ucrânia?
24 fev, 2026 • André Rodrigues
A chamada operação militar especial, que Vladimir Putin disse que iria durar apenas umas semanas, já leva quatro anos de destruição e perdas de vidas.
Há quatro anos, a guerra voltou à Europa. Na madrugada de 24 de fevereiro de 2022, as forças russas iniciaram uma série de bombardeamentos contra várias cidades da Ucrânia.
Em que ponto está o conflito? E o balanço das vítimas?
Não há um número fechado, nem de um lado, nem do outro do conflito. Mas é seguro afirmar que já morreram mais de dois milhões de pessoas, a esmagadora maioria são militares russos e ucranianos.
O Centro Estratégico de Estudos Internacionais, com sede em Washington, estima que, até ao final do ano passado, as baixas militares eram de, aproximadamente, dois milhões de soldados, somando mortos, feridos e desaparecidos.
Já as Nações Unidas contabilizam mais de 15 mil civis mortos e mais de 41 mil feridos em quatro anos. E estes números estarão, seguramente, subestimados, porque é muito difícil chegar a um número exato de vítimas, sobretudo nas partes do território ucraniano ocupadas pelas forças russas.
Outro número subestimado diz respeito aos deslocados e, em particular, às crianças: de acordo com a UNICEF, cerca de 2,6 milhões de menores continuam deslocados, dentro e fora da Ucrânia.
Quatro anos depois, quem tem a vantagem no terreno?
É difícil dizer, porque a frente de batalha continua bastante disputada.
Se, de um lado, a Rússia avança de forma lenta e com custos elevados, já a Ucrânia realiza contra‑ataques localizados que anulam os ganhos pontuais das forças russas. Por isso, é uma guerra "a passo de caracol", com linhas de contacto estáveis, sem grandes avanços por parte das forças de Moscovo, mas sem colapso das linhas de defesa ucranianas.
Nos últimos dias, os combates têm sido mais intensos, sobretudo no sul do país, junto ao Mar Negro, que é uma zona estratégica, porque possui uma densa rede portuária que permite a entrada e saída de mercadorias do país.
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Mas, nos últimos tempos, tem havido esforços diplomáticos para a paz. Qual é o ponto da situação?
Também aqui os avanços são muito lentos. As conversas são muito tensas, mas os ganhos práticos são muito reduzidos.
As mais recentes negociações foram, precisamente, há uma semana em Genebra: representantes de Kiev e de Moscovo sentaram-se à mesa, mediados pelos Estados Unidos, mas a única situação em que houve acordo foi no retomar da troca de prisioneiros. É um sinal de que há espaço para pequenos entendimentos, sobretudo a este nível humanitário, mesmo sem um acordo político — pelo menos por agora — para uma paz duradoura.
A Ucrânia diz que faltam garantias de segurança e acusa a Rússia de não recuar quanto à cedência de território, em troca da paz.
Outra das questões em cima da mesa é a realização de eleições. Porque é que não aconteceram até agora?
Porque a Ucrânia está sob lei marcial há quatro anos e isso impede a realização de eleições nacionais.
Zelensky tem dito que a Ucrânia está pronta para eleições, mas faz depender esse cenário das tais garantias de segurança e de um cessar‑fogo que permita organizar o ato eleitoral.
Espera-se que possa haver novidades esta terça-feira. Zelensky deverá aproveitar este dia em que se assinalam os quatro anos da guerra para anunciar uma data para a realização de eleições.
E na Europa, o que é que mudou nestes quatro anos?
A perceção de ameaça, entre os europeus. No ano passado, 51% dos inquiridos em nove países da União Europeia diziam ver um alto risco de guerra com a Rússia nos próximos anos. 69% consideravam que o seu país não está preparado para se defender sozinho. E esta é uma preocupação muito sentida no Leste da Europa, que faz fronteira com o conflito.
A par com esse sentimento, cresceu o apoio a uma defesa europeia comum.
No Eurobarómetro de outono do ano passado, 79% dos europeus apoiavam uma política comum de defesa e segurança; 77% diziam que a invasão russa é uma ameaça à segurança da União Europeia. E isso teve uma tradução em termos políticos: defesa e a segurança passaram a representar um terço do orçamento europeu.
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