Explicador Renascença
As respostas às questões que importam sobre os temas que nos importam.
A+ / A-
Arquivo
O que são urgências regionais de obstetrícia e quando vão abrir?
Ouça o Explicador Renascença da tarde desta terça-feira. Foto: Ni Yanqiang, He Chang/Zhejiang Daily Press Group/VCG via Reuters Connect

Explicador Renascença

O que são urgências regionais de obstetrícia e quando vão abrir?

24 fev, 2026 • Alexandre Abrantes Neves


No Explicador Renascença, esclarecemos quando vão entrar em funcionamento as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia, até que ponto médicos e enfermeiros não vão ter de mudar permanentemente de hospital e como reagiram os autarcas e sindicatos.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou esta terça-feira que as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia vão entrar em funcionamento "dentro de pouco tempo", em princípio no próximo mês de março.

Este foi uma solução trabalhada diretamente com os profissionais de saúde, mas o que se sabe mais sobre estas unidades de saúde?

O Explicador Renascença esclarece.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

De onde vem esta ideia?

No início de janeiro, e depois de um veto inicial, o Presidente da República promulgou o diploma das urgências regionais, que pretendem resolver a falta de recursos humanos em obstetrícia nas zonas mais críticas e concentrar médicos e enfermeiros num só hospital.

Na altura, ficou apenas por esclarecer quando aconteceria e essa foi a novidade revelada nesta terça-feira pela ministra da Saúde.

O que muda com a criação destas unidades regionais?

Pela Margem Sul do Tejo – região onde são conhecidos constrangimentos nas urgências obstétricas que não ficaram resolvidos mesmo com a solução de alternância entre hospitais –, as urgências externas vão ficar concentradas no hospital Garcia de Orta, em Almada, a partir de março deste ano.

Para tal, a urgência obstétrica do Barreiro vai encerrar e a de Setúbal vai passar a funcionar apenas para casos referenciados pelo INEM e vindos do litoral alentejano.

Ainda sem data anunciada, as urgências de obstetrícia no hospital Beatriz Ângelo também vão cumprir o mesmo processo, o que implica o encerramento da urgência obstétrica no hospital de Vila Franca de Xira.

E na Península de Setúbal há um dia concreto para a mudança?

A ministra não se quis comprometer com uma data específica para o caso das urgências em Setúbal.

Neste momento, as unidades locais de saúde estão a contactar médicos e enfermeiros que vão começar a fazer bancos noutros hospitais. A partir do momento em que houver escalas completas, já há condições para avançar com as urgências regionais.

Médicos e enfermeiros não vão ter de mudar permanentemente de hospital?

A única coisa que muda são as urgências externas. Isto é, tanto a maternidade do Barreiro como a de Vila Franca de Xira vão continuar a funcionar para partos programados e outros de grávidas que já estejam previamente hospitalizadas.

A partir de agora, a única coisa que muda é que os médicos e enfermeiros vão passar a realizar os chamados bancos em hospitais diferentes.

E como reagiram os autarcas e os sindicatos?

O autarca do Barreiro, onde vai fechar a urgência obstétrica, diz-se indignado e critica a falta de aviso prévio por parte do governo, acusando o ministério de desarticulação.

Já o presidente da câmara de Vila Franca de Xira ainda não acredita que esta seja a solução, afirmando que o hospital da cidade tem todas as condições para funcionar.

Segundo o autarca, a ministra da Saúde ainda não lhe comunicou nada, nem aos outros quatro autarcas de concelhos servidos pelo hospital.

Para o sindicato independente dos médicos, a medida faz sentido, porque não há recursos humanos para tantos hospitais. Contudo, o sindicato duvida da eficácia da medida no imediato até porque muitos médicos vão ter de se deslocar mais de 50 quilómetros e nem todos vão aceitar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.