Explicador Renascença
Ultras no futebol. Quem são os estrangeiros que invadem os jogos portugueses?
05 mar, 2026 • Anabela Góis
No Explicador Renascença, esclarecemos quem são estes ultras estrangeiros, a diferença entre estes grupos e os adeptos portugueses, a informação que PSP tem sobre estes ultras e até que ponto este comportamento acaba por contagiar as claques portuguesas dentro e fora dos campos.
Antes ou depois de vários jogos de futebol, a PSP tem registado conflitos dentro, mas, sobretudo, fora do campo.
Não há números concretos dos ultras estrangeiros que invadem os estádios portugueses, mas as autoridades confirmam que está a aumentar a presença organizada de radicais estrangeiros nestas competições. Mas quem são estes grupos de estrangeiros?
O Explicador Renascença esclarece.
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Quem são estes ultras estrangeiros que vêm a Portugal?
De acordo com a PSP, estes ultras são adeptos que têm, por defeito, uma atitude de confrontação com as autoridades, de completa hostilidade.
São indivíduos que não consomem drogas, nem bebem bebidas alcoólicas e que no seu dia a dia treinam as mais diversas artes marciais.
Porém, não é por bons motivos - é sim para estarem o mais aptos possível para entrarem em confrontos com outros adeptos e eventualmente até com as forças de segurança.
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Os ultras não vêm para ver futebol, vêm para a violência. São muito diferentes dos adeptos portugueses?
A diferença entre os ultras e os adeptos portugueses é grande e quase cultural. De acordo com a PSP, os portugueses, por maior que seja o risco que representem, dificilmente reagem quando são interpelados pela polícia.
Pode acontecer, mas, por regra, não é isso que se passa. Já os ultra são estrangeiros, nomeadamente croatas, e são muito diferentes. Reagem sempre que são abordados pela polícia e, se conseguirem, agridem os agentes policiais.
Este comportamento acaba por contagiar as claques portuguesas?
A PSP disse este tipo de comportamento provoca uma maior hostilidade dos adeptos casuais do Benfica, por exemplo.
Em particular, uma maior capacidade de premeditação, seja para atacar adeptos rivais, ou para suportarem os controlos policiais.
A PSP conhece estes grupos?
No caso do Benfica, há ultra croatas que até vão ao estádio para apoiarem o clube e muitos são sócios, mas o seu objetivo principal não é irem ver o jogo.
O objetivo deste grupo é terem uma presença numerosa fora do estádio e capacidade para atacar ou reagir a ataques de equipas adversárias.
Este tipo de conflitos não acontece só em Portugal. Juntamente com adeptos da claque "No Name Boys", seguem a equipa para fazerem demonstrações de força.
Há casos em que os confrontos com os adeptos da cidade onde vão jogar são agendados e planeados para terem maior impacto.
Mas isto acontece mais com o Benfica?
Este fenómeno da importação de ultras estrangeiros é transversal aos maiores clubes portugueses.
No caso do Benfica, os "No Name Boys" têm aliança com a Torcida Split, claque do Hajduk Split, da Croácia. Já os "Diabos Vermelhos" têm pacto com os Ultras Granata, a maior claque do Torino, de Itália.
No Sporting, a Juventude Leonina tem proximidade à claque Viola Club Settebello, da Fiorentina, de Itália, mas também com Go Ahead Eagles, dos Países Baixos.
Os grupos do FC Porto têm amizade com as claques do Bétis de Sevilha, a Lazio de Roma – ambas pela mão dos Super Dragões – com o Coletivo Ultras 95 a virar-se para a Sampdoria, de Itália.
Do Sporting de Braga há referências a relações com os grupos do Rayo Vallecano, de Espanha e Feyenoord, dos Países Baixos.
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Tem havido muitos incidentes graves em Portugal ultimamente?
Não tem havido mais, porque a polícia monitoriza de perto estes adeptos estrangeiros.
As autoridades estão a procurar perceber como operam, a forma como se movimentam, como se vestem, as suas intenções e quais são as suas rivalidades.
Para tal, contam também com o permanente intercâmbio de informações com autoridades estrangeiras.
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