Explicador Renascença
PSD quer revogar o atual modelo de autodeterminação do género?
09 mar, 2026 • André Rodrigues
Se for aprovado, a mudança de nome e de sexo no cartão de cidadão deixa de ser possível entre os 16 e os 18 anos.
Pode voltar a ser obrigatório ter um atestado médico para mudar de sexo e de nome próprio no registo civil.
O projeto de lei do PSD deu entrada no Parlamento na passada sexta-feira.
O Explicador Renascença esclarece.
O que é que muda?
Se for aprovado, a mudança de nome e de sexo no cartão de cidadão deixa de ser possível entre os 16 e os 18 anos. Com este diploma, o PSD quer repor a validação clínica obrigatória para alterar a menção do sexo e o nome próprio no registo civil, com um relatório de uma equipa especializada - pelo menos um médico e um psicólogo.
Portanto, este projeto de lei revoga o modelo de autodeterminação previsto na lei de 2018 e retoma o modelo aprovado em 2011, que obriga a uma avaliação clínica prévia.
Portanto, se esta proposta for aprovada, deixa de ser possível a alteração de nome e de sexo entre 16 e 18 anos.
Será necessário relatório clínico depois dos 18 anos?
Se esta proposta do PSD for aprovada, sim. Ou seja, passa a ser obrigatório um relatório de equipa especializada, retomando o essencial do regime de 2011. Atualmente, os maiores de 18 anos não necessitam dessa avaliação, uma vez que vigora o modelo de autodeterminação com procedimento administrativo.
Quantas pessoas mudaram a menção do sexo?
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Justiça, entre 2018 e 2025, cerca de 3.300 pessoas fizeram essa alteração. Dessas, 323 tinham 16 ou 17 anos.
Porque é que esta proposta surge agora?
Tem tudo a ver com o calendário parlamentar: o tema vai ao plenário no dia 19 de março, porque o Chega foi o primeiro partido a suscitar esse debate. Ora, o PSD foi atrás e também entregou o seu próprio projeto de lei, para poder levar a votos a sua alternativa. Portanto, o que está em causa é uma disputa de posicionamento partidário à direita.
Dentro do PSD, a proposta é pacífica?
Não. É uma proposta que está a gerar divisões. Depois de ter sido apresentada na passada sexta-feira, o deputado social-democrata Bruno Vitorino já pediu a retirada desta proposta, criticou a ausência de debate interno. E isso acabou por projetar o tema para a atualidade.
- Quase 3.300 pessoas mudaram de nome e género no Registo Civil desde 2018
- Presidente da RTP lamenta que episódio sobre identidade de género tenha incomodado
- CDS protesta por transmissão de desenhos animados sobre identidade de género
- Parlamento aprova projetos do PSD, do CDS e do Chega sobre identidade de género
- Mudaram de género em Portugal 186 menores entre 2018 e 2023
























