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Burla do falso acidente está a aumentar. Como posso evitar?
Ouça o Explicador Renascença da tarde desta quarta-feira. Foto: Reuters

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Burla do falso acidente está a aumentar. Como posso evitar?

11 mar, 2026 • Fátima Casanova


No Explicador Renascença, esclarecemos quais são as características da burla do "falso acidente", como os burlões chamam a atenção das vítimas e conseguem extorquir dinheiro, quais são os conselhos da PSP e até que ponto as pessoas se deixam levar.

Se for abordado por causa de um hipotético acidente com o carro ou um toque que deu ao estacionar, tenha cuidado.

A PSP está a alertar para uma burla que tem estado a aumentar. O que posso fazer, então, para não cair neste esquema?

O Explicador Renascença esclarece.

Quais são as características desta burla?

Esta burla caracteriza-se por ser feita de forma presencial, por pessoas manipuladoras e com falta de empatia.

Agem com muito à vontade de forma a surpreender e a enganar a potencial vítima, com recurso à intimidação ou ameaça física.

O período preferido para atuar é entre as 10h00 e as 16h00, em parques de estacionamento ou estradas com pouco trânsito e de preferência sem sistemas de videovigilância.

Por sua vez, as vítimas são normalmente pessoas vulneráveis, quer pela doença, quer pela idade avançada, que são coagidas a entregar dinheiro. Segundo a PSP, na sua maioria são homens com mais de 70 anos.

E qual é o "modus operandi" utilizado pelos burlões?

Normalmente, estes burlões abordam a vítima quando está a fazer alguma manobra com o carro, na maioria das vezes está a fazer marcha atrás.

A abordagem pode acontecer de imediato, quando a vítima está parada dentro da viatura, ou então, depois de ter iniciado a marcha, é seguida pelo suspeito que através de sinais de luzes, com umas buzinadelas e gestos consegue chamar a atenção da vítima, que para o carro.

As vítimas param o carro depois de serem chamadas à atenção pelo "falso acidente"?

Quando as vítimas param o carro, o burlão pede para ser compensado depois de mostrar o sítio onde o carro ficou riscado.

O burlão insiste que não é preciso participar o acidente à seguradora para não ser penalizado e diz que também não é preciso chamar a polícia.

Muitas vezes simula um telefonema para uma oficina, fingindo receber um orçamento para a reparação do carro e, depois de com muita conversa, tenta persuadir a vítima a entregar-lhe dinheiro.

Também há situações em que o burlão simula um atropelamento.

Como é que tenta extorquir dinheiro?

Para tornar tudo mais real, o burlão simula um problema físico, queixa-se de dores e pode dizer que o telemóvel caiu ao chão e que se partiu, mostrando um telemóvel partido. A seguir, pede uma compensação.

E há muitas pessoas que se deixam levar?

Segundo a PSP, este tipo de crime está a aumentar. No ano passado, a PSP registou 853 denuncias, o que representa mais do triplo das denuncias verificadas em 2021.

Estes são os casos que chegam ao conhecimento, sendo que haverá muitas outras situações em que a vítima nem sequer apresenta queixa.

Quais são os conselhos da PSP?

Deve-se desconfiar sempre, sobretudo quando o burlão insiste no pagamento em dinheiro.

Também há casos em que se oferece para acompanhar a vítima a uma caixa multibanco e alguns até se fazem acompanhar por um terminal de pagamento automático.

A vítima nunca deverá ceder o seu cartão bancário a desconhecidos nem utilizar o terminal que lhe seja apresentado.

Deve contactar a PSP ou um familiar para lhe relatar o que está a acontecer. Por vezes, basta o telefonema para o suspeito desistir.

Também é importante reter o máximo de informação possível: as características do suspeito, como idade, altura, modo de falar, sinais e tatuagens; bem como reter elementos do carro utilizado e o nome pelo qual o suspeito se apresentou.

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