Explicador Renascença
Burla do falso acidente está a aumentar. Como posso evitar?
11 mar, 2026 • Fátima Casanova
No Explicador Renascença, esclarecemos quais são as características da burla do "falso acidente", como os burlões chamam a atenção das vítimas e conseguem extorquir dinheiro, quais são os conselhos da PSP e até que ponto as pessoas se deixam levar.
Se for abordado por causa de um hipotético acidente com o carro ou um toque que deu ao estacionar, tenha cuidado.
A PSP está a alertar para uma burla que tem estado a aumentar. O que posso fazer, então, para não cair neste esquema?
O Explicador Renascença esclarece.
Quais são as características desta burla?
Esta burla caracteriza-se por ser feita de forma presencial, por pessoas manipuladoras e com falta de empatia.
Agem com muito à vontade de forma a surpreender e a enganar a potencial vítima, com recurso à intimidação ou ameaça física.
O período preferido para atuar é entre as 10h00 e as 16h00, em parques de estacionamento ou estradas com pouco trânsito e de preferência sem sistemas de videovigilância.
Por sua vez, as vítimas são normalmente pessoas vulneráveis, quer pela doença, quer pela idade avançada, que são coagidas a entregar dinheiro. Segundo a PSP, na sua maioria são homens com mais de 70 anos.
Burlas com acidentes simulados aumentam em Portugal
A PSP registou 853 denúncias de burlas com acident(...)
E qual é o "modus operandi" utilizado pelos burlões?
Normalmente, estes burlões abordam a vítima quando está a fazer alguma manobra com o carro, na maioria das vezes está a fazer marcha atrás.
A abordagem pode acontecer de imediato, quando a vítima está parada dentro da viatura, ou então, depois de ter iniciado a marcha, é seguida pelo suspeito que através de sinais de luzes, com umas buzinadelas e gestos consegue chamar a atenção da vítima, que para o carro.
As vítimas param o carro depois de serem chamadas à atenção pelo "falso acidente"?
Quando as vítimas param o carro, o burlão pede para ser compensado depois de mostrar o sítio onde o carro ficou riscado.
O burlão insiste que não é preciso participar o acidente à seguradora para não ser penalizado e diz que também não é preciso chamar a polícia.
Muitas vezes simula um telefonema para uma oficina, fingindo receber um orçamento para a reparação do carro e, depois de com muita conversa, tenta persuadir a vítima a entregar-lhe dinheiro.
Também há situações em que o burlão simula um atropelamento.
Roubo
"Gangue do Alcatrão" está de regresso? GNR alerta para burlas às vítimas do mau tempo
Grupo criminoso tem uma nova estratégia e promete (...)
Como é que tenta extorquir dinheiro?
Para tornar tudo mais real, o burlão simula um problema físico, queixa-se de dores e pode dizer que o telemóvel caiu ao chão e que se partiu, mostrando um telemóvel partido. A seguir, pede uma compensação.
E há muitas pessoas que se deixam levar?
Segundo a PSP, este tipo de crime está a aumentar. No ano passado, a PSP registou 853 denuncias, o que representa mais do triplo das denuncias verificadas em 2021.
Estes são os casos que chegam ao conhecimento, sendo que haverá muitas outras situações em que a vítima nem sequer apresenta queixa.
Quais são os conselhos da PSP?
Deve-se desconfiar sempre, sobretudo quando o burlão insiste no pagamento em dinheiro.
Também há casos em que se oferece para acompanhar a vítima a uma caixa multibanco e alguns até se fazem acompanhar por um terminal de pagamento automático.
A vítima nunca deverá ceder o seu cartão bancário a desconhecidos nem utilizar o terminal que lhe seja apresentado.
Deve contactar a PSP ou um familiar para lhe relatar o que está a acontecer. Por vezes, basta o telefonema para o suspeito desistir.
Também é importante reter o máximo de informação possível: as características do suspeito, como idade, altura, modo de falar, sinais e tatuagens; bem como reter elementos do carro utilizado e o nome pelo qual o suspeito se apresentou.





















