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Bloqueio do Estreito de Ormuz está a provocar a pior crise energética das últimas décadas?
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Bloqueio do Estreito de Ormuz está a provocar a pior crise energética das últimas décadas?

23 mar, 2026 • André Rodrigues


Segundo o diretor da Agência Internacional da Energia, desde o inicío da guerra 40 infraestruturas energéticas em nove países da região ficaram “gravemente ou muito gravemente danificadas”.

O bloqueio do Estreito de Ormuz já retirou do mercado um volume de petróleo e de gás superior aos choques petrolíferos dos anos 70. O alerta é do diretor da Agência Internacional de Energia.

É mesmo a pior crise energética das últimas décadas?

Tudo aponta para isso, porque a perda de oferta já ultrapassa a soma das duas crises petrolíferas de 1973 e 1979.

Isto porque, hoje, o mercado é mais globalizado e interdependente.

Além disso, a crise está, também, a atingir o gás natural, os combustíveis e também o mercado de fertilizantes, estendendo o choque à indústria e ao setor alimentar.

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Quanto petróleo e gás se perdeu até agora?

De acordo com o diretor da Agência Internacional de Energia, estamos a falar de uma redução equivalente ou, mesmo, superior a 11 milhões de barris por dia, acima das perdas combinadas de 1973 e 1979 - e num corte de gás que duplica a rutura provocada pela invasão russa da Ucrânia em 2022.

E a libertação de reservas estratégicas resolve o problema?

Alivia, mas não resolve. A Agência Internacional de Energia coordenou a libertação de cerca de 400 milhões de barris - a maior de sempre. E está a estudar a possibilidade de libertar mais barris, se tal for necessário. No entanto, Fatih Birol admite que isso não acaba com o problema, apenas "alivia a dor".

Enquanto o Estreito de Ormuz se mantiver fechado e as infraestruturas energéticas danificadas, o impacto do preço e da escassez não vai desaparecer.

Se a guerra acabasse agora, quanto tempo demoraria a normalizar os fluxos?

Num cenário de reabertura imediata do Estreito de Ormuz, a retoma operacional em vários campos e complexos de gás e de refinação de petróleo pode levar, pelo menos, meio ano. Até que sejam reparados danos físicos, até que seja recuperada a cadeia logística, de pessoal e de armazenamento.

Portanto, a reabertura segura de Ormuz é o passo mais importante para estabilizar o mercado.

Sem isso, quaisquer novas descidas de preço serão frágeis e temporárias, mesmo com mais reservas disponíveis.

Portugal, o que deve esperar?

Depende da duração da crise. Portugal é um importador de petróleo, logo, muito exposto a estas crises de fornecimento, nomeadamente de combustíveis como o gasóleo, o querosene - utilizado nos aviões.

Quaisquer medidas que venham a ser tomadas no contexto da União Europeia para gerir stocks podem ser uma ajuda, mas se a guerra não acabar, entretanto, o choque vai prolongar-se. E aí será inevitável um aumento de toda a cadeia de valor: a começar pelo custo dos transportes, da agricultura e dos bens essenciais.

Já esta segunda-feira, quem tiver de abastecer o carro vai sentir um novo aumento significativo dos combustíveis: o litro de gasóleo fica 12 cêntimos mais caro e a gasolina aumenta 7 cêntimos.

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