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Para que servem os satélites portugueses lançados hoje para o espaço?

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Para que servem os satélites portugueses lançados hoje para o espaço?

30 mar, 2026 • André Rodrigues


Portugal volta ao espaço esta segunda-feira para começar a construir uma nova constelação de satélites. O Explicador Renascença dá os pormenores e mergulha na razão de ser do projeto espacial.

Vão ser lançados seis satélites que vão formar a constelação Lusíada. Um projeto que promete levar mais conectividade e segurança ao mar.

Como é que tudo isto vai acontecer?

Antes de mais, quatro dos satélites foram batizados com os grandes nomes da literatura portuguesa: Camões, Agustina, Pessoa e Saramago. Vão ser lançados a partir de Vandenberg, na Califórnia, a bordo de um foguetão da SpaceX.

É o primeiro bloco da tal constelação Lusíada que terá 12 satélites para comunicações marítimas. No fundo, vai funcionar como uma espécie de "Waze" dos mares, para facilitar a segurança da navegação.

Depois há dois satélites da Força Aérea Portuguesa e do CEiiA, desenvolvidos em colaboração com a N3O, parceiros internacionais e o operador nacional Geosat. A intenção é reforçar a Constelação do Atlântico com capacidades de observação da Terra de última geração.

Porque é que isto é importante?

Por razões de soberania: Portugal tem uma zona económica exclusiva muito vasta no Atlântico. Por isso, este sistema de satélites é fundamental para a segurança e torna-se estratégico em missões de defesa, busca e salvamento, pesca e tráfego comercial.

Como vai funcionar o tal “waze dos oceanos”? Que tecnologias estão em jogo?

Tecnologia satélite de órbita baixa. Portanto, são pequenos satélites que vão cobrir todo o planeta com ligação de dados marítimos. Os satélites recolhem, encaminham e distribuem informação entre navios e autoridades, dados meteorológicos e oceanográficos em tempo real.

Na prática, o que muda em relação ao que já existe é que teremos mais segurança e eficiência, melhor resposta a situações de emergência que impliquem vigilância reforçada. Portanto, é um sistema que vai disponibilizar dados úteis, no momento certo, para quem está no mar. Ou seja, armadores, pesca, logística, seguradoras, marinas, autoridades marítimas e de proteção civil.

Quanto é que isto custa?

15 milhões de euros é o investimento para desenvolvimento e lançamento desta fase. 10 milhões são Plano de Recuperação e Resiliência. A LusoSpace avança com 2 milhões e meio. O resto é capital privado.

A cerimónia de lançamento desta primeira fase da constelação Lusíada está marcada para as 10 da manhã, num evento em Lisboa que contará com a presença do ministro da Economia. É o primeiro passo de Portugal para uma rede de satélites para tornar a navegação marítima mais ligada e mais segura.

[atualizado às 13h00 com satélites da Força Aérea Portuguesa e do CEiiA]

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