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José Saramago, único português Nobel da Literatura, pode mesmo deixar de ser lido no 12º ano?
31 mar, 2026 • Sérgio Costa
Em causa está a possibilidade de alunos deixarem de ler integralmente “Memorial do Convento” ou “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, podendo optar por “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, de Mário de Carvalho.
Nas últimas horas surgiu a notícia de que José Saramago, o único português Nobel da Literatura, pode deixar de ser lido no 12º ano.
Pode mesmo acontecer?
Pode, desde logo porque em causa está uma proposta de revisão das aprendizagens essenciais de Português. Trata-se de um documento do Ministério da Educação que está em consulta pública até ao dia 28 de abril.
Então, em concreto, o que prevê a proposta do ministério?
Propõe-se que a leitura da obra de Saramago passe a ser opcional e não obrigatória. Se até aqui os professores podiam optar pela leitura dos romances "Memorial do Convento" ou "O ano da Morte de Ricardo Reis" de Saramago, a proposta prevê uma terceira opção, o romance “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, de Mário de Carvalho. Ou seja, Saramago pode deixar de ser lido se essa for a opção dos professores de português.
Mas o ministro da educação explicou as razões desta proposta de aumentar as opções?
Diz que a proposta é absolutamente técnica e que ainda não há uma decisão definitiva. Fernando Alexandre já foi questionado sobre se esta possibilidade cria mais desigualdades entre escolas, algo que o ministro nega sublinhando que a escolha está entre dois escritores portugueses de referência.
Então esta proposta não é pacífica?
Há alguma contestação, mas a Associação de Professores de Português fala de uma falsa questão e adianta que na maioria os professores vão continuar a apostar em Saramago. Já a Fundação Saramago defende que em vez de alargar a opção, Mário de Carvalho passe a ser também obrigatório juntamente com Saramago.
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Que outras ideias constam da proposta de revisão das aprendizagens essenciais de Português?
No 12º ano entra também o teatro. Os professores podem escolher entre seis peças: "Romeu e Julieta" de Shakespeare, "Madame" de Maria Velho da Costa ou "Ifigènia, Agamémnon, Electra" de Tiago Rodrigues.
Para o 11º a proposta inclui uma obra de leitura integral e obrigatória de Camilo Castelo Branco. As opções são: "Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado", "Amor de Perdição" ou "A Queda de um Anjo".
Qual o objetivo destas alterações?
Aumentar o tempo de leitura. Há um ponto interessante da proposta que consiste na criação e contratos de leitura, um acordo formal e individual entre aluno e professor em que o estudante escolhe as obras que pretende ler deu um conjunto de livros sugeridos pelo docente.

























