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Estão a aumentar os sintomas de ansiedade na população portuguesa. Porquê?
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Estão a aumentar os sintomas de ansiedade na população portuguesa. Porquê?

07 abr, 2026 • André Rodrigues


De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, no ano passado 40% dos portugueses com 16 ou mais anos referiram sintomas de ansiedade generalizada. 1 em cada 10 reportou sinais graves.

Porque é que os portugueses estão mais ansiosos?

Há fatores que ajudam a compreender esta subida. À cabeça, o aumento do custo de vida e a incerteza laboral. Depois, há um efeito prolongado da Covid-19 - de que pouco se fala hoje. Mas esse período deixou sequelas psicológicas. Aliás, o INE associa explicitamente o aumento de sintomas de ansiedade a esse contexto socioeconómico e à tendência observada nos últimos anos.

Por isso, sem surpresa, a prevalência da ansiedade entre os portugueses subiu de 32% para os tais cerca de 40% no ano passado.

E, dentro deste universo, há 11% que dizem sentir sintomas graves.

Como é que isto se mede?

Através de um instrumento de rastreio baseado em duas perguntas sobre as últimas duas semanas, através das quais se avalia o grau de nervosismo e a incapacidade de controlar a preocupação. Isto é útil para se ter uma noção, mas não é um diagnóstico médico por si só. Serve para sinalizar possíveis casos que podem justificar uma avaliação mais completa.

Portanto, estes números dizem-nos que há muita gente a sentir-se assim, com sintomas de ansiedade, mas isso é diferente de dizer que quase 40% têm uma doença diagnosticada. Porque isso só se determina havendo um acompanhamento clínico.

Quem é mais afetado?

As mulheres, mais do que os homens, 46% para 31%. Os dados também apontam maior prevalência em idosos e em desempregados. Por graus de escolaridade, os níveis tendem a ser mais baixos entre quem tem o ensino secundário ou o superior e mais altos entre quem tem menos escolaridade.

Portanto, há aqui uma leitura social: se a ansiedade pesa mais em pessoas desempregadas, ou com menor escolaridade, isso é um sinal de vulnerabilidade e de menor margem de proteção. E isso causa receio nas pessoas.

Mas há uma boa notícia nestes dados do INE: a longevidade regressou a níveis próximos ao período pré-pandemia. Isso significa que globalmente estamos melhor?

A maior parte dos inquiridos diz que sim, que o seu estado de saúde global é bom ou muito bom.

O problema é outro e os próprios dados do INE introduzem essa leitura: a expectativa de “vida saudável” desce muito. Os números apontam para uma redução próxima de 13 anos na expectativa de vida saudável para a população em geral, penalizando mais as mulheres.

Portanto, viver mais não garante uma vida melhor. E quando uma sociedade acumula anos com limitação funcional e sofrimento psicológico, isso traduz‑se em mais necessidade de acompanhamento, mais consumo de cuidados. Logo, mais encargos para o Serviço Nacional de Saúde.

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