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Trump aceita a proposta para um cessar-fogo com o Irão. Quais são as condições desta trégua?
08 abr, 2026 • André Rodrigues
O anúncio da suspensão dos bombardeamentos ao Irão por duas semanas foi feito pelo presidente dos EUA.
É a notícia que marca esta manhã: Donald Trump aceitou a proposta para um cessar-fogo com o Irão, depois de ter ameaçado arrasar uma civilização. Foi mesmo a acabar o prazo dado ao Irão para reabrir o Estreito de Ormuz.
Como vai ser esta trégua?
A fórmula é aparentemente simples. Os Estados Unidos suspendem os bombardeamentos por duas semanas e, em troca, o Irão compromete‑se a reabrir o Estreito de Ormuz de forma completa, imediata e segura durante essas duas semanas.
É, no essencial, o que consta da proposta de trégua entregue pelos mediadores do Paquistão - um plano em 10 pontos - que não resolve as causas do conflito, mas pretende, pelo menos, criar as condições para que as partes em conflito suspendam as hostilidades.
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O Irão aceita essas condições?
Sim, mas com uma condição. A passagem segura no Estreito de Ormuz fica condicionada à coordenação militar iraniana. Ou seja, Teerão aceita reabrir a passagem, mas não abdica do controlo operacional, o que pode traduzir-se inspeções, escoltas, restrições técnicas ou mesmo a cobrança de uma espécie de portagem a quem pretenda fazer a travessia.
E o Estreito já foi reaberto?
Ainda não há qualquer indicação de que isso já tenha acontecido. Terá de ser o regime iraniano a confirmar essa decisão. Certo é que as duas semanas de cessar-fogo só começarão a contar, efetivamente, assim que o Estreito de Ormuz for reaberto.
Isto significa o fim da guerra?
Não significa o fim da guerra. No melhor dos cenários, estas duas semanas poderão ser a antecâmara para algo eventualmente mais definitivo. Como em todas as situações deste género, o anúncio de um cessar-fogo não acaba logo com as hostilidades. Esta madrugada, houve registo de alertas de ataques e lançamentos de mísseis. Portanto, o conflito no terreno não acaba por decreto de um cessar-fogo. A situação continua a ser bastante instável.
Israel está dentro do acordo?
Sim, Israel também aceitou os termos do cessar-fogo e compromete-se a suspender os ataques durante o tempo em que a trégua vigorar. Mas apenas com o Irão. O gabinete de Benjamin Netanyahu admite a suspensão da ofensiva contra o Irão, mas exclui o Líbano. Aliás, esta madrugada já houve bombardeamentos no sul do território libanês por parte das forças israelitas.
Como é que os mercados estão a reagir a este cessar-fogo?
Com sinais de alívio, nomeadamente na cotação do barril de Brent, que cai cerca de 15% - a negociar entre os 92 e os 95 dólares. Portanto, abaixo da fasquia dos 100 dólares.
Sendo assim, diminui o risco de um choque de oferta - pelo menos no imediato. Mas a trégua é muito curta. São apenas duas semanas e tem de ser cumprida, para que este alívio possa ser consistente e ter efeitos no bolso dos consumidores, a começar pelo preço dos combustíveis.
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