Explicador Renascença
Amizade em Portugal. Temos menos amigos e convivemos menos?
10 abr, 2026 • Alexandre Abrantes Neves
No Explicador Renascença, esclarecemos até que ponto a solidão piorou nos últimos dez anos, que populações são as mais afetadas e se ter menos amigos tem implicações na saúde.
Um novo estudo divulgado esta sexta-feira pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa sobre o estado da amizade em Portugal e os dados não são muito animadores.
Até que ponto os portugueses sentem-se mais sozinhos?
O Explicador Renascença esclarece.
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A solidão piorou nos últimos 10 anos?
Na última década, o fenómeno da solidão piorou segundo um estudo que contou com uma amostra de mil pessoas entre os 18 e os 64 anos.
Em comparação a 2015, a investigação revela que o número de amigos baixou para menos de metade e que a quantidade de amigos íntimos também teve uma redução de perto de 50%.
Contas feitas, hoje em dia os portugueses têm em média 12 amigo, três deles íntimos.
Ainda assim, um em cada dez inquiridos diz não ter ninguém com quem falar sobre os seus problemas e um em cada cinco diz sentir-se frequentemente sozinho.
Portugueses com menos amigos sendo os mais jovens e pobres os que convivem menos
Estudo divulgado esta sexta-feira pelo ISCTE defen(...)
Há algum motivo que justifica este cenário?
De acordo com o estudo, a pandemia carrega uma significativa parte das culpas, mesmo seis anos depois.
Segundo os investigadores, a tendência de isolamento dos últimos 10 anos pode estar relacionada com mudanças de convivência na altura da COVID-19, com os confinamentos obrigatórios a provocarem algum afastamento nas relações interpessoais dos inquiridos.
Que populações são as mais afetadas?
As pessoas com baixos rendimentos e vínculos precários de trabalho são aqueles que se sentem mais sozinhos, com os nível de amizade mais baixos.
Há também um dado curioso: uma em cada cinco portugueses que quem não vive sozinho, apesar de se cruzarem diariamente com pessoas em casa, relatam sentir solidão.
As gerações mais novas sentem-se mais sozinhos do que os mais velhos.
Perante os novos dados, os investigadores pedem às autarquias para criarem mais espaços públicos gratuitos, que permitam um convívio de qualidade entre os mais jovens.
Ter menos amigos tem implicações na saúde?
A investigação mostra que os amigos têm um impacto maior na saúde do que a própria família.
Segundo os investigadores, ter amigos de qualidade e duradouros é duas vezes mais relevante para o bem estar-físico e psicológico do que manter relações próximas com familiares.
Mas há outra conclusão fundamental: segundo o estudo, a qualidade das relações de amizade é mais importante para o bem-estar do que a quantidade de amigos ou a frequência com que estamos com eles.




























