O bloqueio do Estreito de Ormuz vai fazer subir o custo de vida?
13 abr, 2026 • Fátima Casanova
No Explicador Renascença desta segunda-feira, falamos sobre o que está em causa com o bloqueio do Estreito de Hormuz e as suas implicações económicas.
Este bloqueio é para levar a sério?
As declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, apontam para uma posição firme. O líder garantiu que qualquer navio iraniano que se aproxime do bloqueio poderá ser atacado de forma imediata.
Mas como é que vai ser com os navios com outras bandeiras, que não sejam do Irã?
As restrições aplicam-se a todas as embarcações, independentemente da bandeira, desde que operem com portos iranianos ou terminais petrolíferos ao longo da costa do Irão, incluindo o Golfo de Omã e o Estreito de Ormuz. O impacto estende-se, assim, a uma parte significativa do comércio marítimo.
E o Irão já respondeu às ameaças de Donald Trump à navegação?
Sim. O governo iraniano garante que vai travar qualquer tentativa de interferência militar dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz e no Mar de Omã. Além disso, ameaça afundar navios que tentem bloquear os seus portos, aumentando a tensão na região.
E quanto à Europa, como é que está a Europa a reagir a tudo isto?
A União Europeia considera que a situação reforça a necessidade de uma coligação internacional para garantir a segurança marítima. A presidente da Comissão Europeia alerta para o impacto económico significativo de um eventual encerramento do Estreito de Ormuz.
Mas, em concreto, vai então haver alguma iniciativa para ultrapassar o bloqueio americano?
Os líderes europeus mais ativos são Emmanuel Macron e Keir Starmer. Ambos estão a trabalhar na realização de uma cimeira com o objetivo de reabrir o Estreito de Hormuz. O Reino Unido sublinha que pretende manter-se fora do conflito e que qualquer ação será pensada para um cenário pós-guerra.
Enquanto isso não acontece, como é que os mercados estão a reagir?
Os mercados estão cautelosos. O preço do petróleo subiu, com o barril Brent a ultrapassar os 100 dólares. As bolsas abriram em queda e, apesar de alguma recuperação, fecharam em terreno negativo, incluindo a praça de Lisboa.
E face a esse cenário, com o que é que podemos contar nos próximos dias?
O principal receio é o impacto económico. O aumento do preço dos combustíveis tende a refletir-se nos bens alimentares e na eletricidade, através do gás natural. Em consequência, o custo de vida pode aumentar. Ainda assim, enquanto durar o cessar-fogo, espera-se alguma contenção nos mercados.
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