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A Europa pode ficar sem combustível para aviões em seis semanas?
Ouça o Explicador Renascença da manhã desta sexta-feira. Foto: José Sena Goulão/Lusa

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A Europa pode ficar sem combustível para aviões em seis semanas?

17 abr, 2026 • André Rodrigues


Segundo a Agência Internacional de Energia, as reservas podem atingir um ponto crítico em junho caso a Europa não consiga substituir, pelo menos, metade das suas importações provenientes do Médio Oriente.

Se a guerra no Médio Oriente não terminar rapidamente, pode faltar o combustível para os aviões. Quem o diz é o diretor da Agência Internacional de Energia, que admite que a crise pode chegar aos aeroportos europeus.

Vamos mesmo ficar sem combustível para os aviões?

Não é uma inevitabilidade, mas pode acontecer em alguns aeroportos, caso o abastecimento não seja normalizado. De acordo com o diretor-executivo da Agência de Energia, a Europa terá, provavelmente, seis semanas de combustível de aviação. Caso a guerra no Médio Oriente não termine em breve, pode mesmo haver falta de jet fuel, o combustível que é utilizado na aviação civil. E poderão surgir cancelamentos de voos.

O que é que está a provocar este risco de escassez?

As dificuldades na circulação de barcos no Estreito de Ormuz, que é um dos principais corredores do comércio energético. Em condições normais, um quinto do petróleo comercializado em todo o mundo passa por ali. Com a interrupção ou um condicionamento prolongado, há um efeito dominó no petróleo e nos produtos derivados, incluindo o combustível de aviação.

Mas por que razão é que isto se coloca no combustível para aviões e não para a gasolina e para o gasóleo?

O jet fuel pode ser o primeiro a falhar, porque é um produto específico: depende de refinação, de logística e de armazenamento nos aeroportos. Mesmo que exista petróleo noutros mercados, é preciso consegui-lo, refiná-lo e entregá-lo a tempo e isso não se resolve de um dia para o outro.

Além disso, o combustível é um dos maiores custos das companhias aéreas. Representa cerca de um terço das despesas. E quaisquer tensões na oferta empurram os para cima e aumentam a competição pelos stocks disponíveis.

O que pode ser feito para evitar cancelamentos de voos?

Está tudo muito dependente da normalização no Estreito de Ormuz, porque quanto mais tempo durar a crise, maior é o risco. Ainda por cima, tendo em conta que, quando falamos de mês e meio de reserva disponível, isso significa que, com a situação tal como está, pode deixar de haver combustível para os aviões em junho, que é uma altura do ano de maior procura — ou é a altura do ano em que começa a aumentar a procura de voos por causa das férias de verão.

Ou seja, isto significa que, mantendo-se um bloqueio, as reservas podem descer a níveis em que pode começar a faltar jet fuel em aeroportos e centros logísticos.

E aí, o que é que pode ser feito?

Pode ser necessário o racionamento de combustível, alterações na operação aeroportuária e, no limite, cancelamentos. Fala-se também da possibilidade de substituir pelo menos metade do combustível que é utilizado para evitar que os stocks caiam para níveis considerados críticos.

Como assim?

Significa conseguir arranjar combustível rapidamente, por outras rotas, ou noutras origens como os Estados Unidos, África, eventualmente mais produção europeia para assegurar pelo menos 50% do volume de combustível de aviação necessário para não pôr em causa a operação das companhias aéreas.

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