Explicador Renascença
Medicina estética. Estão a aumentar as denúncias de atos médicos sem habilitação?
21 abr, 2026 • Anabela Góis
No Explicador Renascença, esclarecemos de que se trata a campanha "Não é só estética. É saúde", as consequências para quem procura e para quem faz estes procedimentos ilegais e até que ponto as denúncias estão a aumentar.
As autoridades da saúde reuniram-se para lançar esta terça-feira a campanha “Não é só estética. É saúde", com o objetivo de alertar para os riscos da realização de procedimentos estéticos por profissionais não habilitados.
O "intrusismo" na medicina estética acontece quando pessoas sem habilitação, ou médicos por negligência, fazem procedimentos estéticos erradamente.
Quais são as novas conclusões das autoridades competentes?
O Explicador Renascença esclarece.
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De que se trata a campanha "Não é só estética. É saúde"?
A ASAE, a Direção Geral do Consumidor (DGD), a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e o Infarmed lançaram a campanha “Não é só estética. É saúde”, com o objetivo de alertar para os riscos da realização de procedimentos estéticos por profissionais não habilitados para o fazerem.
Campanha "Não é só estética. É saúde"
Medicina estética. Duplicam denúncias de atos médicos sem habilitação
Os dados são da ASAE, Direção Geral do Consumidor,(...)
Sabem-se de muitas falhas nestes procedimentos?
As denúncias estão a aumentar bastante. No ano passado, a ASAE recebeu 136 queixas, o número mais elevado dos últimos oito anos.
À ERS chegaram outras 118 denúncias. A própria Sociedade Portuguesa de Medicina Estética recebe anualmente mais de uma centena de denúncias. Desde 2022, registou 318 queixas.
Há consequências depois das denúncias?
Nos casos em que se confirma a usurpação de funções – diz a ASAE –, os responsáveis pelos espaços incorrem numa pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias.
São esteticistas e outros profissionais do género envolvidos?
Sim, mas não só. Na maioria das vezes estão em causa, de facto, profissionais da área da estética e beleza, como cabeleireiros, barbeiros e esteticistas.
Porém, há cada vez mais profissionais de saúde, como enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas e até médicos sem a devida especialização que prestam estes serviços.
Não basta ter um curso na área da saúde para ter conhecimento técnico-científico adequado para realizar procedimentos estéticos.
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E botox, por exemplo?
A administração de toxina botulínica ou de preenchimentos com ácido hialurónico envolve a manipulação de substâncias e a execução de técnicas que interferem diretamente com estruturas anatómicas, designadamente vasos sanguíneos, nervos e tecidos cutâneos.
Ou seja, é preciso ser médico com especialidade na área para poder fazer este tipo de procedimento.
Não pode ser uma pessoa qualquer a fazer este tipo de procedimentos?
Quando profissionais – sem experiência nem qualificações – realizam estes atos médicos da área da estética, estão a incorrer na prática de intrusismo médico.
E as consequências para a saúde de quem recorre a estes “intrusos” podem ser graves?
Quando são praticados por profissionais não habilitados, aumenta significativamente o risco de eventos adversos, incluindo infeções, oclusões vasculares ou até assimetrias permanentes.
E há outra questão: ao realizar procedimentos estéticos em locais não adequados, não há protocolos de atuação, de rastreabilidade dos produtos utilizados e de acompanhamento depois do procedimento.
Isto pode comprometer não só a segurança dos utentes, como a capacidade de intervenção das autoridades competentes.
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Quem é que tem apresentado queixa?
As pessoas que apresentam queixa são sobretudo consumidores, mas também profissionais de saúde, ordens profissionais e associações do setor.
E como podemos ter a certeza de que vamos "consultar" o profissional adequado?
Só os médicos e médicos dentistas, inscritos nas respetivas ordens profissionais em Portugal, estão habilitados e qualificados para a realização destes procedimentos.
Basta consultar o registo público das respetivas ordens profissionais para confirmar se o profissional está ou não habilitado.
Pode verificar na página da Ordem dos Médicos ou no site da Ordem dos Médicos Dentistas.
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