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Os portugueses estão a mudar os planos de férias por causa da guerra e aumento dos preços?
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Os portugueses estão a mudar os planos de férias por causa da guerra e aumento dos preços?

23 abr, 2026 • André Rodrigues


Uma das consequências do conflito no Irão tem sido uma retração da procura de destinos no estrangeiro para passar as férias de verão.

A guerra no Médio Oriente está a mexer com os preços da energia e isso chega rapidamente ao turismo, sobretudo aos voos. Em Portugal, as agências de viagens dizem que os portugueses estão mais cautelosos, mas a vontade de viajar mantém‑se.

Para onde é que os portugueses vão de férias este ano?

Vão, sobretudo, para destinos percebidos como mais seguros e longe de zonas de conflito — e há também mais procura por opções perto de casa.

No longo curso, as Caraíbas estão no topo, com a República Dominicana como destino claramente mais procurado, seguida do México; o Brasil destaca‑se com um muito significativo.

Cabo Verde, Canárias e Tunísia também aparecem como escolhas frequentes.

E depois, as viagens para mais perto: ir para fora cá dentro, para as ilhas - a Madeira também está a ser bastante procurada. E Espanha também. São estes os destinos que os portugueses mais procuram para as férias deste verão.

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O que é que está a travar as reservas para o estrangeiro?

A incerteza e os custos. As agências de viagens dizem que, com a guerra e com a incerteza económica, os portugueses estão mais cautelosos e querem gastar menos, o que levou a uma desaceleração nas vendas nas últimas semanas.

O setor chegou a sentir um crescimento de vendas para o verão de cerca de 5% face ao ano anterior, mas esse ritmo abrandou com o contexto internacional e com a pressão nos preços.

Isto quer dizer que os portugueses vão viajar menos?

Não necessariamente, quer dizer que vão escolher de forma diferente. A ideia central é um ajustamento: as pessoas continuam a querer viajar, mas procuram preços mais baixos, com mais comparação e mais prudência antes de fechar a compra.

Até porque os bilhetes de avião estão mais caros e podem aumentar ainda mais. Só para que se tenha uma ideia, no último mês as tarifas de aviação subiram cerca de 4% nas partidas de Portugal.

E nos voos de longa distância, os aumentos são superiores a 10% e, em alguns casos, acima de 20%.

Tudo isto para que as companhias consigam mitigar uma parte dos impactos provocados pelo aumento do preço dos combustíveis.

Então, mais vale comprar um pacote de férias, ou marcar tudo à peça?

Depende, mas em tempos de volatilidade o pacote pode dar mais previsibilidade. O aumento de preços tem pesado sobretudo nas viagens compradas de forma individual, com maior oscilação nos voos, enquanto muitos pacotes podem refletir subidas mais tarde, por terem sido contratados com antecedência.

Portanto, quem monta férias à peça — voo + hotel + extras em separado — fica mais exposto a mudanças rápidas de preço e a sobretaxas.

Por isso, a dica é: planear com mais cuidado e proteger o orçamento. O setor nota que os clientes estão a comprar onde encontram preços mais baixos, o que favorece promoções e alternativas mais competitivas.

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