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O preço do petróleo vai continuar a subir com a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP?

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O preço do petróleo vai continuar a subir com a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP?

30 abr, 2026 • André Rodrigues


É já esta sexta-feira que os Emirados Árabes Unidos abandonam a OPEP - a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. É uma decisão considerada histórica, uma vez que o país pertence a esta organização há várias décadas.

O que é que isto muda? O preço do petróleo vai continuar a subir?

Na prática, esta saída do Emirados Árabes Unidos não faz o petróleo aparecer ou desaparecer de um momento para o outro, embora o país seja o quarto maior produtor de petróleo do mundo. O que muda é o compromisso com a chamada disciplina de produção. Os Emirados Árabes Unidos deixam de estar comprometidos com o cumprimento de quotas e com as decisões que os estados-membros possam vir a tomar.

Mas porquê agora?

O governo de Abu Dhabi justifica a decisão com uma revisão abrangente da política de produção e com a vontade de responder melhor às necessidades do mercado.

No fundo, os Emirados Árabes Unidos querem mais liberdade para produzir e o ministro da Energia do país já disse que pretende aumentar a capacidade para os cinco milhões de barris por dia até 2027 - algo que as quotas de produção podem limitar.

Por outro lado, há tensões e divergências, nomeadamente com a Arábia Saudita, que tem liderado a resposta regional à crise no Médio Oriente e ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo vai continuar a subir por causa desta saída?

Não necessariamente por causa da saída dos Emirados Árabes da OPEP. No curto prazo, o preço está muito mais refém da crise de oferta e das restrições à circulação marítima no Estreito de Ormuz.

Num cenário destes, o prémio de risco sobe e o preço fica mais instável.

Agora, quanto ao efeito de mais longo prazo da saída dos Emirados Árabes, ainda é incerto. Mas pode acontecer que a escala de preços do petróleo possa aliviar.

Como assim?

É que, estando fora da lógica de quotas, os Emirados Árabes Unidos podem aumentar a produção quando a situação normalizar, o que pode acrescentar oferta e trazer os preços para baixo.

No entanto, pode também abrir espaço a uma luta por quotas de mercado. Logo, a mais instabilidade e incerteza, se houver um braço de ferro com outros produtores.

Portanto, nas próximas semanas, a evolução do preço do petróleo vai depender sobretudo da guerra, das rotas e da capacidade de entregar petróleo.

Como é que isto afeta Portugal?

Portugal sente este tipo de choque, sobretudo por ser um grande importador de petróleo e produtos refinados e porque grande parte do custo dos combustíveis depende do preço internacional.

A dependência energética portuguesa tem sido elevada. Em 2024 era de cerca de 64%.

Além disso, a fatura energética e o saldo importador de energia são sensíveis às subidas da cotação do petróleo. E isso acaba por ter consequências na hora de abastecer o depósito.

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