O hantavírus tem cura e pode ser tratado?
05 mai, 2026 • Anabela Góis
No Explicador Renascença desta terça-feira, falamos sobre o que se sabe do surto infeccioso num navio de cruzeiro retido ao largo de Cabo Verde, causado por um vírus raro, o hantavírus, que já provocou três mortos.
De que vírus é que estamos a falar?
Trata-se do hantavírus, uma família de vírus transmitidos aos humanos por roedores infetados, através do contacto com urina, fezes ou saliva de ratos. Pode causar uma síndrome pulmonar grave, com sintomas semelhantes à gripe, mas que pode evoluir rapidamente para dificuldades respiratórias e até levar à morte.
Mas e não tem cura?
Não existe um tratamento específico para o hantavírus. Ainda assim, como o agravamento pode ser rápido, exige muitas vezes assistência médica urgente. Os cuidados passam por tratar os sintomas, podendo implicar a administração de oxigénio.
E é transmissível de pessoa para pessoa?
Na esmagadora maioria dos casos, não. Existem pelo menos 38 espécies reconhecidas de hantavírus e apenas uma, extremamente rara, pode ser transmitida de um ser humano para outro.
E já se sabe se é esse o que foi identificado nos passageiros do navio?
Não. A Organização Mundial da Saúde indica que há dois casos confirmados de hantavírus, enquanto os restantes continuam em análise. Ainda não é claro como ocorreu o contágio, mas admite-se a possibilidade de transmissão entre pessoas.
Então nesse caso não foram ratos a bordo os responsáveis pela doença?
A OMS diz que não. A organização admite que o surto terá começado com um dos passageiros que já estaria infetado quando entrou no cruzeiro. Trata-se de um homem neerlandês de 70 anos, que morreu a bordo a 24 de abril, mas que apresentava sintomas desde o dia 6. A mulher viajou no dia seguinte para Joanesburgo já com sintomas e morreu dois dias depois, com infeção confirmada.
Este cenário leva a OMS a admitir a hipótese de transmissão de pessoa a pessoa e está a tentar localizar os passageiros do voo que transportou esta mulher.
E agora, o que é que vai acontecer ao navio? E aos passageiros?
Os dois passageiros com sintomas respiratórios estão a ser tratados a bordo por médicos cabo-verdianos e encontram-se estáveis. Devem ser transportados para os seus países de origem para continuar o tratamento.
O navio, impedido de atracar na ilha de Santiago, foi desinfetado e deverá seguir para as Canárias. No entanto, o Governo espanhol pediu garantias adicionais de segurança sanitária e aguarda a avaliação de uma equipa de epidemiologistas antes de tomar uma decisão.
A bordo permanecem 147 pessoas, incluindo 88 passageiros e 59 membros da tripulação, de 23 nacionalidades diferentes.
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