Agressões em esquadras de Lisboa. O que sabemos sobre os agentes da PSP detidos?
06 mai, 2026 • André Rodrigues
Os agentes estão acusados de maus‑tratos e violência contra pessoas detidas no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto - nomeadamente toxicodependentes, pessoas em situação de sem-abrigo e estrangeiros. Há fortes suspeitas de crimes graves como tortura, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física.
É um dos temas no topo da atualidade: são já 24 os agentes da PSP detidos no caso das agressões em esquadras de Lisboa. 15 dos quais só ontem. Em causa estão crimes graves cometidos contra detidos em situação vulnerável.
Antes de mais, que caso é este?
É uma investigação a acontecimentos ocorridos em 2024 e 2025. Os agentes estão acusados de maus‑tratos e violência contra pessoas detidas no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto - nomeadamente toxicodependentes, pessoas em situação de sem-abrigo e estrangeiros. Há fortes suspeitas de crimes graves como tortura, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física.
Tudo isso agravado pela partilha e divulgação das agressões em grupos no WhatsApp.
Destes 24 agentes detidos, dois já estão a ser julgados.
24 agentes detidos no total. Não eram 16?
Os 16 detidos desta terça‑feira são só a vaga mais recente - 15 são polícias e um é civil.
Quando se fala em 24 detidos, contam-se apenas os elementos da PSP detidos até agora. Com a operação de ontem, é já a terceira vaga de detenções, porque o processo tem evoluído à medida que são recolhidas provas.
A primeira operação ocorreu em julho do ano passado com a detenção dos dois principais suspeitos - os dois que estão já a ser julgados
Em março deste ano, uma segunda vaga resultou na detenção de mais sete polícias - que se encontram em prisão preventiva a aguardar o desfecho da investigação, que pode ou não culminar numa acusação do Ministério Público.
Ontem, foram detidos os tais 15 polícias, mais um civil. Daí, o total: 24 agentes da PSP das esquadras do Rato e do Bairro Alto, todos atualmente no ativo.
Já se sabe quando é que vão ser ouvidos?
Até ao momento, ainda não se sabe. Mas esse será o passo seguinte: os arguidos vão ser presentes a um primeiro interrogatório para que o juiz decida quais as eventuais medidas de coação a aplicar. Algo que deverá acontecer nos próximos dias.
O que diz a PSP sobre este caso?
Tolerância zero. Nas últimas horas, o diretor nacional da PSP garantiu tolerância zero perante alegações desta natureza. Luís Carrilho assegura que os cidadãos podem continuar a confiar na polícia. Portanto, há essa preocupação de proteger a confiança na PSP, sem interferir na investigação.
A mesma posição foi expressa pelo ministro da Administração Interna. Aliás, foi o próprio Luís Neves que, horas antes das mais recentes detenções, confirmou que elas aconteceriam durante o dia de ontem.
Que consequências pode ter este caso?
Desde logo, uma consequência criminal: há dois agentes que estão a ser julgados, o que significa que o tribunal considera que há indícios suficientes da prática destes crimes graves.
Há também consequências disciplinares, porque, para além do processo penal, podem existir processos disciplinares internos que podem ir até à expulsão destes agentes.
Finalmente, uma consequência institucional, porque este caso reabre o debate sobre a formação e os mecanismos de prevenção deste tipo de episódios nas forças policiais.
Em qualquer dos casos, o ministro da Administração Interna é perentório: os agentes envolvidos têm o direito à presunção de inocência até que haja uma decisão judicial final.
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