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Ouça aqui o Explicador Renascença da tarde desta quinta-feira. Foto: IMAGO/Christian Ohde via Reuters
Ouça aqui o Explicador Renascença da tarde desta quinta-feira. Foto: IMAGO/Christian Ohde via Reuters

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Hantavírus. Quais são as conclusões da OMS sobre os novos casos?

07 mai, 2026 • Pedro Mesquita


No Explicador Renascença, esclarecemos quais são os novos dados da OMS sobre hantavírus, até que ponto a transmissão de pessoa para pessoa é comparável à Covid-19, que medidas de prevenção estão a ser tomadas no navio e quando chegará a Tenerife.

Para quem ainda não se esqueceu dos tempos difíceis da pandemia, o surto de hantavírus, detetado há alguns dias a bordo de um cruzeiro em pleno oceano Atlântico, está a gerar alguma ansiedade entre a população mundial.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou na tarde desta quinta-feira a informação sobre este caso. Quais são as novas conclusões?

O Explicador Renascença esclarece.

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Que dados são esses?

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esclareceu esta quinta-feira que há neste momento oito casos reportados de hantavírus: cinco infeções confirmadas e outros três casos suspeitos. Recordo que, até agora, há registo de três mortes em resultado deste surto.

Ficamos igualmente a saber que a estirpe de hantavírus identificada é o chamado vírus dos Andes. Trata-se de uma estirpe que pode, em situações raras, ser transmitida de pessoa para pessoa.

Há alguma prova de que este surto possa ter sido provocado por contágio entre humanos?

Ainda não há provas definitivas, mas parece cada vez mais provável que tenha sido esse o caso, dado o número de pessoas infetadas.

Há um facto que, a confirmar-se, pode toirar todas as dúvidas: uma assistente de bordo do avião da KLM em que viajou uma mulher que acabou por morrer apresentou sintomas suspeitos.

Porém, ainda se aguardam os resultados das análises, mas se forem positivos para hantavírus será uma evidência de que se deu transmissão pessoa a pessoa.

A transmissão de pessoa para pessoa é comparável à Covid-19?

Não, e a OMS fez questão de sublinhar isso mesmo nesta conferência de imprensa. A responsável da OMS para as ameaças epidémicas disse claramente que isto não é comparável à Covid, nem sequer à gripe. Ou seja, este vírus propaga-se de uma forma muito diferente.

Pode haver doença respiratória grave nos casos mais sérios, mas a transmissão é diferente da de vírus respiratórios comuns. A OMS admite que este surto exige vigilância e rastreio de contactos, mas não há sinais de uma transmissão generalizada, nem de uma ameaça semelhante à Covid.

Mas como se transmite entre humanos?

Segundo a OMS, a transmissão, quando acontece, resulta sobretudo de contactos muito próximos: entre parceiros íntimos, pessoas da mesma família ou profissionais de saúde. No ambiente fechado de um cruzeiro, isso também poderia acontecer.

Para já, não há para já a indicação de que o vírus esteja a comportar-se de uma forma inesperada. A novidade é ter sido detetado num cruzeiro, com passageiros e tripulantes de várias nacionalidades.

E ainda há passageiros com sintomas a bordo do navio cruzeiro?

A OMS assegura que nenhum dos passageiros, ou tripulantes, que ainda estão a bordo do navio MV Hondius apresenta sintomas relacionados com o Hantavírus.

Ainda assim, admite-se que possam surgir novos casos. Como foi explicado nesta conferência de imprensa, o período de incubação pode demorar seis semanas.

E que medidas de prevenção estão a ser tomadas no navio?

Os passageiros foram instruídos para permanecerem nas respetivas cabinas, do cruzeiro. Foi também explicado que as cabinas foram desinfetadas e qualquer pessoa que desenvolva sintomas deverá ser isolada imediatamente.

O barco ainda está em alto mar, mas é esperado nas Canárias?

A previsão mais recente aponta para chegada do navio a Tenerife no próximo domingo e a evacuação deverá começar na segunda-feira, com a garantia de que não haverá qualquer contacto entre os passageiros e a população local.

Perante os receios que se instalaram nas Canárias, a OMS explicou que o desembarque será particularmente controlado e só acontecerá depois de cada passageiro ser avaliado a bordo. Depois, quando forem autorizados a sair, os passageiros serão transportados diretamente para uma zona protegida junto ao aeroporto, para que possa avançar o repatriamento, por via aérea.

Em síntese, segundo a OMS, não haverá em Tenerife um desembarque livre dos passageiros e dos tripulantes este cruzeiro. Trata-se de uma operação sanitária que a Organização Mundial da Saúde classifica de baixo risco.

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