Explicador Renascença
Por que é que estão a aumentar listas de espera em cirurgias cardíacas e oncológicas?
12 mai, 2026 • André Rodrigues
Rlatório da ERS conclui que, no segundo semestre de 2025, o fluxo de cirurgias efetuadas diminuiu, enquanto a lista de espera cresceu.
Aumentam as listas de espera para cirurgias oncológicas e cardíacas. É o que conclui um relatório da Entidade Reguladora da Saúde relativo ao segundo semestre do ano passado.
Estamos a falar de cirurgias em que foram ultrapassados os tempos máximos de resposta.
O Explicador Renascença esclarece.
Porque é que isto está a acontecer?
Porque há mais entrada de doentes do que capacidade de resposta para realizar cirurgias.
No caso das oncológicas, eram mais de 8.000 doentes à espera de cirurgia; no caso das doenças cardíacas eram 2.700 cirurgias em lista de espera.
Portanto, o relatório da ERS conclui que, no segundo semestre de 2025, o fluxo de cirurgias efetuadas diminuiu, enquanto a lista de espera cresceu, sobretudo em cardiologia.
Porquê?
Porque a procura por primeira consulta nesta especialidade foi a que mais aumentou no segundo semestre do ano passado.
E isto é importante porque a primeira consulta é a porta que se abre para a realização de exames e para decisões que, muitos casos, passam por cirurgia.
Se nas doenças oncológicas, o aumento da espera para primeira consulta foi de 3% - com cerca de nove mil doentes em espera - no caso da primeira consulta de cardiologia, o aumento foi de quase 8,5%, com mais de 28 mil doentes em espera.
Portanto, as listas de espera crescem porque há mais gente a entrar para consulta e menos cirurgias realizadas. Logo, aumenta o número de doentes cujo prazo de resposta já foi ultrapassado.
Os atrasos são iguais para todos?
Não são iguais. Em oncologia, o incumprimento aumenta nos doentes prioritários, o que significa que o atraso está a atingir aqueles doentes que, à partida, são considerados mais urgentes e que o sistema tenta pôr à frente.
No caso das cirurgias cardíacas, a situação é diferente: há muitos doentes cujo tempo máximo de resposta já foi ultrapassado e, mesmo para aqueles que já tiveram primeira consulta, a ERS regista incumprimentos elevados nos tempos de resposta.
Portanto, não é um pico pontual. Tornou-se um padrão.
E quando uma cirurgia ou uma consulta não acontece no tempo certo, o doente simplesmente não desaparece. Volta à fila de espera e isso empurra os seguintes.
O setor privado ajuda a aliviar a pressão?
Muito pouco. Em cardiologia, não adianta mesmo nada. Pelo menos, no que toca à atividade programada.
Em oncologia, o peso da atividade fora do SNS é praticamente simbólico.
Portanto, encaminhar para fora não ajuda a resolver dentro do prazo. Ajuda a fazer algumas cirurgias, mas não garante rapidez.

























