Explicador Renascença
Como uma empresa vendeu cursos dentro de escolas?
13 mai, 2026 • Anabela Góis
No Explicador Renascença, esclarecemos como é que os pais são levados ao engano, que empresa é esta que vende cursos que custam milhares de euros, o que fez o Ministério da Educação e até que ponto os diretores das escolas tomaram alguma medida.
Depois da polémica com os "influencers" que andaram a falar com alunos em escolas públicas, sabe-se agora que há escolas que têm servido de isco para alegadas burlas.
Várias famílias terão sido lesadas por uma empresa que vende cursos que custam milhares de euros.
Como isto aconteceu?
O Explicador Renascença esclarece.
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Como é que os pais são levados ao engano?
De acordo com a Deco, que tem recebido dezenas de queixas, esta empresa tem andado a visitar escolas, de Norte a Sul do país: vai às salas de aulas dar informações sobre os cursos que vende e aproveita para recolher dados dos encarregados de educação, através de um inquérito que entrega aos alunos
Os encarregados de educação são depois convidados para uma reunião na escola, normalmente ao fim de semana, onde lhes são apresentados os conteúdos pedagógicos como uma extensão do percurso escolar
Polémica
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E os pais pagam?
Muitos pagam pelo curso e alguns até com dificuldade. Os encarregados de educação são levados a acreditar que se trata de um curso ligado à escola.
Para poderem beneficiar de descontos, são pressionados a fazer a matrícula de imediato e a assinar autorizações de débito direto para pagarem mensalidades que podem rondar os 130 euros durante 36 meses.
E depois percebem que foram enganados?
Muitas vezes, só quando os pais vão ao encontro dos professores ou se dirigem à escola é que percebem que o curso não tem conteúdos curriculares. Muitos já recorreram à Deco para tentarem rescindir o contrato.
Mas que empresa é essa?
A empresa apresenta-se com vários nomes: AILE-Associação Internacional Lusófona para a Educação ou Advance Station, mas também já usou as marcas Act Academy, Skills Gym ou Instituto Unicenter.
Porém, nunca responde a queixas ou denuncias. A Renascença tentou contactá-la, mas sem sucesso e a própria Deco tem ficado sem resposta.
Quando aos locais de atuação, há denuncias de casos em escolas de Ponte Lima, Pombal, Torre de Moncorvo, Sintra, Barreiro, Vila Franca de Xira, Porto, Grijó e até dos Açores e da Madeira.
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E o Ministério da Educação não faz nada?
Na sequência das denúncias, o Ministério da Educação enviou um comunicado a todas as escolas com várias orientações onde comunica, também, que revogou a autorização dada à associação usada como “fachada” para a alegada burla e fazer inquéritos nas escolas, já que não correspondem aos fins a que se propunham.
O ministério ordenou uma intervenção por parte da Inspeção-geral da Educação e Ciência. Já aos diretores pediu a suspensão de qualquer colaboração em curso com aquela entidade, lembrando-lhes que devem garantir que as atividades cumprem finalidades educativas.
Isto é, a escola não deve ser utilizada para promoção comercial e os direitos e dados dos alunos e encarregados de educação devem ser protegidos.
Os diretores das escolas já tomaram alguma medida?
A Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas reforçou, nas últimas horas, a mensagem do Ministério da Educação junto dos mais de 800 diretores. A ideia é prevenir os diretores para as atividades desta empresa.
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