Explicador Renascença
Por que é que Lisboa e Porto vão ter um reforço policial?
13 mai, 2026 • André Rodrigues
Dados do Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 indicam que a criminalidade geral registada aumentou 3,1%, o que, de acordo com o relatório, pode resultar de uma maior fiscalização policial.
Lisboa e Porto vão ter um reforço policial ainda este ano: serão mais 400 agentes. Outros 500 polícias serão libertados para ações de patrulhamento.
O anúncio foi feito esta terça-feira pelo primeiro-ministro após uma reunião com os dois presidentes de câmara.
O Explicador Renascença esclarece.
O que é que justifica este reforço policial?
O Governo justifica-o com a ideia de que a segurança é um pilar do bem‑estar e da atratividade económica de Lisboa e Porto e que é preciso mais presença policial para prevenir e dissuadir a prática de crimes.
De resto, os dados do Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 indicam que a criminalidade geral registada aumentou 3,1%, o que, de acordo com o relatório, pode resultar de uma maior fiscalização policial.
Ou seja, mais presença no terreno leva a que aumente o registo de ocorrências.
O que foi anunciado?
Mais 400 agentes da PSP para os comandos metropolitanos de Lisboa e Porto, 200 para cada, a entrar em funções ao longo deste ano e à medida que terminem os cursos de formação.
Além disso, o Governo diz estar a preparar uma reorganização em esquadras de Lisboa, Porto e Setúbal para libertar cerca de 500 polícias de tarefas administrativas e colocá‑los em patrulhamento.
É reforço real ou é só uma redistribuição?
Essa é a grande dúvida, sobretudo dos sindicatos da polícia que acusam o Governo de equívoco matemático, alegando que a soma de anúncios para comandos, aeroportos e outras áreas não bate certo com o número de formandos e com o volume de aposentações previsto.
Por exemplo, a ASPP - que é o sindicato mais representativo da PSP - dá o exemplo de um curso que termina a 28 de maio com cerca de 570 formandos e para um concurso com 683 apurados. Logo, isso pode não compensar as saídas e que o que estará em causa é a gestão de escassez e não reforço estrutural.
Portanto, pode até haver mais polícias em Lisboa e no Porto. A questão é se isso vai acontecer à custa da diminuição de agentes noutras zonas do país.
O Governo anunciou também um reforço do Corpo de Intervenção?
Sim. Vão atuar em áreas mais sensíveis, sobretudo onde há maior concentração de pessoas.
O objetivo é ter mais polícias visíveis na rua, sobretudo onde há mais ocorrências, para aumentar a prevenção e reduzir oportunidades de crime.
O Governo entende que o patrulhamento genérico tem pouco efeito e que há melhores resultados quando a presença policial é focada em pontos considerados críticos. Ou seja, apostar num policiamento de proximidade e moderno.
Como assim moderno?
Uma das promessas do Executivo é dar às polícias equipamentos e ferramentas digitais para reduzir burocracia e aumentar a eficácia: menos tempo em tarefas administrativas, mais tempo em missões operacionais.
Esta é uma prioridade há muito enunciada pelo Governo para uma reorganização interna da PSP.
Quando é que este reforço se vai notar nas ruas?
Será por fases. Uma primeira vaga de novos agentes poderá chegar ao terreno no final do primeiro semestre. A segunda vaga no final do ano.
No entanto, tudo vai depender do plano de reorganização das esquadras que está a ser desenhado pelo Governo com a Direção Nacional da PSP.

























