Explicador Renascença
O que é que está a correr mal nos cruzeiros para haver tantos surtos?
14 mai, 2026 • André Rodrigues
Surtos de gastroenterite e de norovírus detetados noutros cruzeiros são muito mais comuns e frequentes.
Depois do surto de hantavírus que provocou três vítimas mortais no cruzeiro que atracou em Tenerife, têm surgido notícias sobre novos surtos de norovírus e gastroenterite noutros navios turísticos.
O Explicador Renascença esclarece.
O que é que está a correr mal nos cruzeiros?
Antes de mais, é importante sublinhar que estamos a falar de situações diferentes: uma muito rara e grave, ligada ao hantavírus da estirpe dos Andes no cruzeiro MV Hondius.
Já os surtos de gastroenterite e de norovírus detetados noutros cruzeiros são muito mais comuns e frequentes.
Portanto, não há um vírus dos cruzeiros. O que há é uma sobreposição de situações muito diferentes: um surto de hantavírus, que é uma situação rara, e que provoca doença respiratória; e surtos de gastroenterite que, apesar de tudo, são mais relativamente frequentes nos cruzeiros.
Porquê?
Porque, normalmente, os cruzeiros são ambientes fechados, com muita gente, superfícies partilhadas e refeições em comum. São condições ideais para vírus gastrointestinais se espalharem rapidamente.
E, depois, há um efeito multiplicador destas notícias. Nos Estados Unidos, a ocorrência de surtos de doença gastrointestinal que atinjam mais de 3% dos passageiros ou da tripulação de um cruzeiro são de comunicação obrigatória por parte do centro norte-americano de prevenção e controlo de doenças.
Logo, usso aumenta a visibilidade pública destes casos que, é importante, uma vez mais, sublinhar, não estão todos relacionados com o surto de hantavírus.
Quais são as diferenças?
No caso do surto de hantavírus, estamos perante uma situação muito rara e potencialmente grave: o agente identificado foi o hantavírus Andes, descrito como o único hantavírus com transmissão pessoa‑a‑pessoa. A Organização Mundial da Saúde
reportou um surto com 11 casos confirmados, alguns graves, e três mortes mas sem potencial para se tornar pandémico, como ocorreu com a Covid-19.
No caso do cruzeiro Caribbean Princess, foi detetado um surto de norovírus que atingiu 145 passageiros e 15 ocupantes. Neste caso, os sintomas mais frequentes são os de uma gastroenterite aguda: diarreia e vómitos.
De imediato, foram decretadas medidas de isolamento, colheita de amostras e limpeza reforçada.
Situação idêntica à do navio Ambition, ancorado em Bordéus: as autoridades francesas confirmam uma epidemia de gastroenterite por norovírus.
Portanto, há diferenças entre um evento raro, com doença respiratória grave e surtos comuns de gastroenterite por norovírus que, normalmente, são autolimitados, embora muito contagiosos.
Que cuidados devem ter os passageiros antes de viajar?
Antes de embarcar, o objetivo é reduzir risco e estar preparado. Os passageiros devem estar conscientes de que surtos de gastroenterite em navios acontecem e, por isso, a prevenção mais eficaz é lavar as mãos com água e sabão; gel alcoólico pode ajudar, mas não substitui a lavagem das mãos.
Quem viaja em cruzeiros deve estar preparado para a eventualidade de uma situação destas acontecer e que pode ser necessário o isolamento a bordo, tal como aconteceu em Bordéus com o cruzeiro Ambition.
Há que ter uma atenção particular às pessoas mais vulneráveis, sobretudo crianças e idosos, porque as gastroenterites podem complicar por desidratação.
E que cuidados se deve ter depois da viagem?
Uma vez mais, lavar frequentemente com água e sabão, sobretudo após a utilização de casas de banho e antes de comer.
E reportar eventuais sintomas o mais rapidamente possível. E cumprir isolamento, sempre que necessário.
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