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Quase 40% dos trabalhadores em Portugal dizem-se vítimas de assédio laboral. O que está em causa?
15 mai, 2026 • André Rodrigues
Para além do assédio, os dados do relatório do Laboratório de Ambientes de Trabalho Saudáveis sugerem uma elevada frequência de situações de exaustão, burnout e solidão dos profissionais.
Quase 40% dos trabalhadores em Portugal dizem-se vítimas de assédio laboral. É o que conclui o relatório do Laboratório de Ambientes de Trabalho Saudáveis que diz que este fenómeno tem vindo a aumentar nos últimos anos.
Porquê?
Há vários fatores que explicam. Antes de mais, há cada vez mais inquiridos que identificam e reportam as situações de assédio de que dizem ser alvo. Entre 2021 e 2025, a percentagem tem vindo sempre a subir de 16,5% para 38%.
Os autores deste relatório admitem que esta subida esteja relacionada com o facto de os trabalhadores reconhecerem melhor este tema e, por isso, rejeitam comportamentos que antes eram normalizados. E, portanto, denunciam.
O que é que pode ser considerado assédio?
A lei define-o como um comportamento indesejado, praticado no acesso ao emprego ou no próprio trabalho, com o objetivo ou o efeito de perturbar a pessoa, afetar a dignidade ou criar um ambiente intimidatório, hostil ou degradante. Mesmo sem uma intenção declarada, ou sem que esse seja o objetivo, se a consequência for humilhar, isolar, intimidar ou desestabilizar o trabalhador, isso pode configurar assédio que, caso seja provado, dá direito a indemnização.
Que outros problemas é que o relatório identifica?
Para além do assédio, os dados sugerem uma elevada frequência de situações de exaustão, burnout e solidão dos profissionais.
Os autores deste relatório defendem que o desgaste do trabalhador não deve ser visto apenas como um problema individual. É um sinal de vulnerabilidade das próprias empresas, com impacto na saúde dos trabalhadores e no compromisso com o trabalho.
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As empresas estão a investir na saúde mental dos seus trabalhadores?
Aparentemente, não. Os autores do relatório referem, explicitamente, que as empresas estão a desinvestir na questão da saúde mental. De acordo com as respostas dos trabalhadores inquiridos, mais de metade reconhecem a sua empresa não dá atenção ao bem-estar dos trabalhadores e apenas um terço diz que a liderança vê esse bem-estar como uma prioridade.
Além disso, muitos trabalhadores dizem sentir-se injustiçados na resolução de conflitos. Algo que o que o relatório interpreta como défice de confiança, de reconhecimento e de participação, que são fatores decisivos para a saúde mental no trabalho.
Quem está mais vulnerável a estas situações?
O relatório identifica grupos que exigem maior atenção: mulheres, profissionais mais jovens, pessoas com doença crónica e também quem já apresenta sinais de burnout, de solidão ou de infelicidade.
Também há diferenças por gerações: as mais novas, até aos 30 anos, são as que revelam menos envolvimento, mais riscos psicossociais relacionados com saúde mental e mais solidão, enquanto a geração “baby boomer”, a partir dos 60, reporta melhores indicadores de bem-estar, envolvimento e felicidade. O relatório acrescenta, ainda, que geração millennial, entre os 30 e os 45 anos é a que apresenta maior risco ao nível da saúde mental.
Se alguém estiver a ser alvo de assédio no trabalho, o que é que pode fazer?
Pedir a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho, através de um formulário específico para estas situações.
Para os casos de assédio moral ou sexual, existe ainda a possibilidade de recurso à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, que disponibiliza um canal de queixa e de orientação, incluindo uma linha de apoio e um contacto por email para descrever a situação.
E, muito importante, recomenda-se aos denunciantes que guardem todas as provas: mensagens, emails, datas e testemunhas, porque isso pode ser decisivo para fundamentar uma queixa ou um processo por assédio no trabalho.
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