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A Rússia estará a perder a guerra contra a Ucrânia?
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A Rússia estará a perder a guerra contra a Ucrânia?

19 mai, 2026 • André Rodrigues


A China tem sido essencial para a resistência da economia russa, sobretudo com exportações de tecnologia e compra de petróleo.

A Rússia pode arrepender-se da guerra na Ucrânia. A frase terá sido dita pelo Presidente chinês durante a cimeira com Donald Trump. É o que dizem fontes que acompanharam a cimeira dos dois presidentes e que são citadas pelo jornal Financial Times, no dia em que Putin é esperado em Pequim. Isto significa que a Rússia está a começar a perder a guerra?

Não no sentido de uma derrota ou de um colapso militar. Mas também não está a ganhar como pretendia. A guerra na Ucrânia está num impasse: as forças russas continuam a controlar 20% do território ucraniano, mas, quatro anos depois, há evidentes sinais de desgaste. Os avanços no terreno são mais lentos e há uma menor capacidade para sustentar este conflito.
Se a Rússia não consegue transformar o investimento que fez nesta ação militar num ganho político, pode não perder a guerra, no sentido clássico de uma derrota militar, mas vai sempre sofrer as consequências de um prolongamento no tempo que está a ser extremamente desgastante para os soldados russos e muito penalizador para a estratégia de Vladimir Putin.
Mas o Presidente chinês usa mesmo a palavra "arrependimento". O que é que isto significa, sabendo que Xi Jinping é um aliado importante da Rússia?
Se se confirmar, é um sinal político relevante. A China tem sido essencial para a resistência da economia russa, sobretudo com exportações de tecnologia e compra de petróleo.
Portanto, um aviso destes pode indicar preocupação com o prolongamento da guerra, pressão europeia sobre Pequim e receio de instabilidade global.
Mais do que um afastamento imediato, isto pode ser um sinal de que a China não quererá ficar associada a uma guerra sem fim, ou a um eventual fracasso russo.
O que é que mudou no terreno?
Os drones. A guerra dos drones passou a moldar o custo e o ritmo da guerra. A Ucrânia tornou-se mais eficaz a usar estes equipamentos para atingir forças e alvos russos, incluindo perto de Moscovo, e isso cria pressão muito para lá da linha da frente.
Ao mesmo tempo, a Rússia mantém ataques aéreos e de longo alcance, mas sem quebrar o equilíbrio no terreno.
A guerra tornou-se mais tecnológica e estática, com drones, artilharia, o que torna cada avanço mais lento e mais caro, reduzindo a capacidade russa para transformar a pressão militar em ganhos concretos.
O que é que pode acontecer depois deste aviso do Presidente chinês?
No imediato, nada de muito significativo. A guerra deverá manter-se num impasse, com tentativas de pausa pontuais e negociações intermitentes.
Portanto, o mais provável é que continue a guerra de desgaste, com avanços e recuos muito limitados.
Resta saber por quanto tempo é que a China quererá continuar a a apoiar o esforço de guerra russo.
Enquanto isso, a guerra arrasta-se, com custos que não param de aumentar. E sem um desfecho rápido à vista. Mas é um aviso.
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