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Por que é que o Banco de Portugal quer apertar as regras do crédito à habitação?
Ouça o Explicador Renascença da tarde desta quarta-feira. Foto: Reuters

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Por que é que o Banco de Portugal quer apertar as regras do crédito à habitação?

27 mai, 2026 • Anabela Góis


No Explicador Renascença, esclarecemos o que justifica as regras mais apertadas do Banco de Portugal para quem pede empréstimos para comprar casa, que regras são essas e se trazem mudanças para os jovens, e até que ponto muitas famílias vão ficar impedidas de comprar casa.

O Banco de Portugal quer apertar as regras para quem pede empréstimos para comprar casa e quer que sejam obrigatórias.

As propostas do regulador e supervisor bancário foram conhecidas esta quarta-feira ao mesmo tempo que o Banco Central Europeu (BCE) colocou Portugal entre os países da Zona Euro onde os preços das casas mais subiram.

Quais são os planos?

O Explicador Renascença esclarece.

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O que justifica as regras mais apertadas?

O Banco de Portugal considera que o mercado da habitação é o principal risco do sistema financeiro por causa do aumento das dificuldades financeiras das famílias e da sobrevalorização dos preços das casas.

Este preços que estão a ser potenciados pela falta de oferta, pela procura dos estrangeiros e também pelos mais jovens que recorrem à garantia estatal. Perante este cenário, o regulador justifica regras mais exigentes.

E que regras são essas?

O Banco de Portugal quer reduzir a taxa de esforço de 50% para 45%. Até agora, quando concedem crédito à habitação, os bancos devem garantir que os clientes não gastam mais de 50% do seu rendimento líquido em dívidas e o regulador quer baixar essa proporção, o que significa apertar a regra de acesso ao financiamento.

O regulador também quer que os bancos diminuam as exceções permitidas à percentagem do valor do empréstimo de 15% para 10%.

Isto porque o montante do empréstimo a conceder pelos bancos era de 90%, mas, desde 2025, foi flexibilizado por causa do apoio aos jovens até aos 35 anos que podem pedir 100% do valor da casa.

Por último, quer reduzir a maturidade média, ou seja, a duração dos empréstimos. Na prática, baixa de 37 para 35, a idade em que é possível fazer contratos para pagar empréstimos ao longo de 40 anos.

Isto traz mudanças para os jovens?

O governador do Banco de Portugal não adiantou pormenores, mas admite equacionar eventuais alterações no financiamento de casa para os mais jovens.

Há algum tempo que o supervisor tem mostrado preocupação com o ritmo de concessão de empréstimos pelos bancos, principalmente desde que entrou em vigor a garantia pública no crédito à habitação a jovens.

Mas o Banco de Portugal está a fazer apenas recomendações?

Por enquanto, o Banco de Portugal está a pedir ao Governo que aprove estas novas regras e que as torne obrigatórias, tal como já acontece em muitos países europeus.

No futuro, os bancos podem vir a ficar sujeitos ao pagamento de coimas, caso não apliquem o que está definido.

Muitas famílias vão ficar impedidas de comprar casa?

É verdade que muitas famílias vão ter mais dificuldades, mas, por outro lado, também se previne o endividamento das famílias.

O preço das casas anda de recorde em recorde sem que os rendimentos acompanhem a subida: de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (EUA), em abril o valor mediano chegou aos 2.174 euros por metro quadrado, mais 23 euros do que em março e 16,5% acima do mesmo mês do ano passado.

Para dar um exemplo concreto, em Lisboa, comprar casa exige atualmente mais de 102% do salário mediano do município, porque os preços por metro quadrado rondam os 3.693 euros – sendo que o salário mínimo nacional é de 920 euros e o salário médio situa-se nos 1.600 euros.

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