Explicador Renascença
As respostas às questões que importam sobre os temas que nos importam.
A+ / A-
Arquivo
Como vivem, estudam e crescem as crianças portuguesas?

Como vivem, estudam e crescem as crianças portuguesas?

01 jun, 2026 • Anabela Góis


No Explicador Renascença desta segunda-feira, falamos sobre quantas crianças vivem em Portugal, como passam os dias e qual é a sua situação socioeconómica, num país cada vez mais envelhecido.

Que peso têm as crianças em Portugal?

Cada vez menos. Atualmente, existem apenas 15 crianças por cada 100 adultos. Nos últimos 50 anos, Portugal registou a segunda maior queda da população infantil da União Europeia, apenas atrás de Espanha.

A proporção de crianças e jovens até aos 17 anos diminuiu de 25,2% em 1990 para 15,5% em 2024. A nível nacional, a percentagem de crianças baixou desde 1991 em praticamente todos os concelhos. A exceção são apenas quatro municípios: Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão, onde essa proporção aumentou.

As crianças são menos em Portugal e vivem de forma completamente diferente?

As rotinas das crianças portuguesas mudaram significativamente nas últimas décadas. Um dos aspetos mais evidentes é o aumento do tempo passado na escola.

Segundo os dados reunidos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos através da Pordata, Portugal é o país da União Europeia onde as crianças entre os 6 e os 11 anos passam mais tempo na escola: em média, 38 horas por semana.

Além disso, de acordo com o INE, entre os três anos e a entrada no ensino obrigatório, todas as crianças frequentam o ensino pré-escolar.

Passam mais tempo na escola. Têm melhores resultados?

Os indicadores mostram melhorias quando comparados com os de há algumas décadas. A retenção escolar diminuiu de forma significativa nas últimas três décadas.

No entanto, os resultados do estudo internacional PISA indicam uma redução das competências dos alunos de 15 anos nos últimos anos. Em 2022, quase oito em cada dez alunos apresentavam níveis mínimos de proficiência na leitura e sete em cada dez na matemática, valores inferiores aos registados dez anos antes.

As famílias também mudaram?

Sim. Embora a maioria das crianças continue a viver com um casal, aumentou significativamente o número de famílias monoparentais.

Atualmente, 11 em cada 100 crianças vivem apenas com um adulto. Esta realidade tem impacto nos indicadores sociais e económicos.

O risco de pobreza entre menores de 18 anos é superior ao registado para o conjunto da população. Nas famílias monoparentais, a situação é mais grave, com a pobreza a atingir mais de um terço das pessoas.

Pode concluir-se que a situação é hoje melhor?

Os dados apontam para uma evolução positiva em vários indicadores. Em 2025, cerca de 157 mil crianças estavam em risco de pobreza, menos 103 mil do que dez anos antes.

Apesar disso, persistem dificuldades significativas. Cerca de 11 em cada 100 crianças com menos de 15 anos viviam em situação de privação material e social. Um quinto não tinha condições para usufruir de pelo menos uma semana de férias por ano fora de casa.

Além disso, cerca de 10% não participavam regularmente em atividades extracurriculares ou de lazer por falta de recursos. As dificuldades habitacionais também são mais frequentes entre famílias com crianças.

Na saúde a situação melhorou bastante?

Sim. A saúde é uma das áreas onde os indicadores apresentam resultados mais positivos.

Em 2024, 95,7% das crianças com seis anos tinham cumprido o plano de vacinação contra sarampo, papeira e rubéola. Entre as crianças com um ano, quase 99% estavam vacinadas contra a hepatite B.

Ainda assim, alguns problemas mantêm-se. Cerca de 3,6% das crianças não conseguiram satisfazer necessidades de consulta ou tratamento dentário e 4,5% apresentavam limitações nas atividades habituais devido a problemas de saúde prolongados.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.