Explicador Renascença
Política de imigração dos EUA pode colocar em risco o Mundial?
09 jun, 2026 • André Rodrigues
Há uma aparente contradição, porque estão previstas exceções, mas, na verdade, quem manda continua a ser a polícia de imigração dos Estados Unidos.
É já esta quinta-feira que começa. Estamos a poucos dias do início do Mundial de futebol, mas há árbitros e elementos de seleções que estão a ter problemas para entrar nos Estados Unidos.
O Explicador Renascença esclarece.
O que é que está a acontecer?
Nas últimas horas, foram públicos vários casos de dificuldades na entrada nos Estados Unidos de pessoas ligadas ao Mundial. O mais marcante é o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi barrado à chegada a Miami, o que obrigou a FIFA a retirá-lo da competição.
Houve problemas também com a seleção do Iraque. Um dos jogadores foi interrogado durante quase sete horas no aeroporto de Chicago e o fotógrafo da equipa foi mesmo impedido de entrar no país.
No caso do Irão, os jogadores receberam vistos só nos últimos dias, mas há vários elementos da estrutura que continuam sem autorização para entrar nos Estados Unidos.
A solução foi instalar a equipa no México. De resto, a seleção iraniana foi informada de que deve entrar e sair do território norte-americano no mesmo dia em que disputar os seus jogos nos Estados Unidos.
Mas atletas e árbitros não deviam ter entrada facilitada?
Em teoria, sim. A política de restrições de entrada adotada pelos Estados Unidos prevê exceções para atletas, membros de equipas, treinadores e pessoas com funções de apoio quando viajam para grandes eventos como o Mundial ou os Jogos Olímpicos.
O problema é que essa exceção não anula o poder das autoridades fronteiriças norte-americanas, que continuam a poder travar ou reavaliar entradas caso a caso. Foi precisamente isso que aconteceu no caso do árbitro somali: a polícia de fronteira disse que ele foi considerado como não admitido no país, por razões de verificação.
Portanto, há uma aparente contradição, porque estão previstas exceções, mas, na verdade, quem manda continua a ser a polícia de imigração dos Estados Unidos.
O que diz a FIFA sobre estes casos?
A FIFA tenta passar uma ideia de normalidade. Só que não é a FIFA que decide quem entra ou não entra num país anfitrião.
No caso do árbitro somali, o organismo disse que foi informado de que a situação não seria alterada e sublinhou que a decisão final cabe sempre ao governo anfitrião. E, portanto, esse árbitro já não estará no torneio.
A FIFA também já tinha procurado tranquilizar a federação do Irão, numa reunião em maio, dizendo que a participação da seleção seria assegurada e que estava a trabalhar nos aspetos logísticos.
Mas os atrasos e os bloqueios nos vistos mostram que a FIFA tem muito pouca margem de manobra para resolver estas situações, porque, no final, quem manda é o país que recebe a competição.
Isto pode pôr em causa a realização do Mundial?
Não no sentido de cancelar a prova. Mas pode ter impactos desde logo, no plano desportivo, porque uma seleção ou uma equipa de arbitragem que chega atrasada, incompleta ou sob pressão entra em desvantagem na preparação.
Depois, há um problema de imagem para os Estados Unidos. E não foi por falta de aviso, porque há já cerca de um ano que havia sucessivos alertas para tempos de espera e controlos fronteiriços muito apertados.
Depois, há aqui uma questão mais de fundo: um Campeonato do Mundo é uma celebração global, mas a verdade é que, com episódios deste género, nem todos os participantes chegam em igualdade de condições ao torneio.
- Mundial 2026: EUA impedem entrada de árbitro da Somália
- Seguro lança o sonho: “Tragam para Portugal a taça que nos falta”
- Mundial 2026: quando joga Portugal, a que horas são os jogos e onde ver na TV e online
- Mundial 2026 em sinal aberto. RTP, SIC e TVI vão transmitir 20 jogos
- Mundial. EUA revoga bilhetes atribuídos à Federação do Irão
- Revistas, interrogatórios e um árbitro expulso. Os problemas do Mundial com as fronteiras dos EUA


































