Explicador Renascença
Quais são os crimes de que a mulher de Pedro Sánchez é suspeita?
15 jun, 2026 • Sérgio Costa
A mulher de Sánchez criou uma cátedra de Transformação Social Competitiva junto com o empresário Juan Carlos Barrabés, que terá supostamente beneficiado de contratos públicos.
Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, fo convocada para uma "audiência preliminar" em tribunal neste 15 de junho.
Ela é alvo de um processo por suspeita de quatro crimes.
O Explicador Renascença esclarece.
Quais?
Tráfico de influências, corrupção, desvio de fundos públicos e apropriação indevida. Em causa estão atividades profissionais e académicas na Universidade Complutense de Madrid e na angariação de fundos privados.
A mulher de Sánchez criou uma cátedra de Transformação Social Competitiva junto com o empresário Juan Carlos Barrabés, que terá supostamente beneficiado de contratos públicos.
De acordo com a acusação, Begoña Gómez beneficiou pessoalmente desses fundos.
Há mais familiares de Sánchez suspeitos?
Sim. David Sánchez, o irmão do primeiro-ministro espanhol, já esteve no banco dos réus. Em causa está suspeita de favorecimento na nomeação para um cargo em Badajoz.
Para além de David Sánchez, este processo envolve o então presidente do Conselho Provincial de Badajoz e antigo líder do PSOE da Extremadura, Miguel Àngel Gallardo.
O Ministério Público considera que não há provas de atividade criminosa, mas a acusação popular pede penas de até seis anos de prisão.
E o PSOE está sob suspeita?
Sobretudo no chamado caso Caso Leire Díez no qual a própria sede do PSOE foi alvo de buscas. Ha suspeitas de um plano, alegadamente liderado por Santos Cerdán, antigo secretário de organização do partido, para travar ações judiciais ou policiais contra o PSOE e o governo.
A coordenadora do esquema seria Leire Díez, que deixou o partido após serem revelados áudios em que surgia a pedir informação comprometedora sobre o tenente-coronel que liderava a Unidade Central Operativa da Guardia Civil - que investigava o PSOE.
O objetivo seria, segundo os investigadores, “proteger os interesses em jogo” de ministros e responsáveis partidários, além do próprio primeiro-ministro, Pedro Sánchez.
Santos Cerdan não está envolvido noutro caso?
Está. O caso Koldo que começou com um escândalo de subornos para a compra de máscaras durante a pandemia que envolvia Koldo García, conselheiro do antigo ministro dos Transportes José Luis Ábalos. Os dois envolvidos estão em prisão preventiva
Estáo em causa os crimes de organização criminosa, corrupção, tráfico de influência, falsificação de documentos oficiais, uso de informação privilegiada, prevaricação e desvio de verbas públicas.
Nem o antigo chefe de governo, José Luís Zapatero, escapa?
Há suspeitas sobre o resgate de 53 milhões de euros que o Estado espanhol assegurou à companhia aérea Plus Ultra. Um caso que remonta a 2021.
As autoridades suspeitam de uma alegada rede de branqueamento de capitais da Venezuela com ligações a Nicolás Maduro.
Como reage o PSOE a todas as investigações?
O executivo liderado por Pedro Sánchez e vários dirigentes do partido alegam que existe uma conspiração que envolve alguna elementos da oposição, da justiça e até da comunicação social para derrubar o governo.
Haverá alguma prova disso?
Não há evidências. De resto, também o Partido Popular foi alvo de processos judiciais.
No chamado Caso Gürtel a investigação detalhou um sistema de corrupção institucionalizado dentro do PP.
A condenação do partido e de vários altos dirigentes levou à queda do Governo de Mariano Rajoy em 2018.
Que consequências podem ter estes processos para o governo PSOE?
Há um claro desgaste e as mais recentes sondagens mostram que o governo está em acentuada queda de popularidade.
Os casos estão a gerar desconforto nos partidos independentistas e de esquerda que sustentam o governo de Sánchez.
Sem esse apoio será provável a queda do Governo espanhol, apesar de Pedro Sánchez garantir que não se demite. Há um elevado grau de incerteza.
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