Explicador Renascença
Aulas a acabar mais cedo no 1º ciclo e no pré-escolar? O que pedem os diretores?
24 jun, 2026 • Sérgio Costa
No Explicador Renascença, esclarecemos o que pedem os diretores de escolas públicas que querem todos os alunos a acabar o ano letivo a meio de junho.
Os diretores de escolas querem uma uniformização do calendário escolar. Se para alguns alunos o ano letivo já terminou, o mesmo não acontece para o 1º Ciclo e o pré-escolar. E a Associação Nacional de Diretores dos Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), liderada por Filinto Lima, defende que, com ou sem calor, o calendário deve ser revisto
O Explicador Renascença esclarece.
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Por que razão o ano termina mais tarde para os mais pequenos?
A justificação original passa por motivos de conciliação familiar. Como são estudantes com menos autonomia, mais dependentes dos pais, e a maioria dos encarregados de educação continua a trabalhar em junho, é entendido que o prolongamento do ano letivo facilita a harmonia familiar.
A ausência de exames também é outra das razões?
Sim. Os ciclos do ensino secundário e o 9.º ano terminam mais cedo devido à calendarização das provas e exames nacionais. O 1.º ciclo e o pré-escolar não têm esta necessidade, mas também há outra razão: a recuperação de aprendizagens. A extensão do calendário foi também reforçada após a pandemia para dar mais tempo de consolidação pedagógica aos alunos que iniciam a escolaridade.
Mas a verdade é que os diretores pedem agora calendários iguais. Porquê?
Os diretores dizem que facilita a gestão dos agrupamentos e que no mês de junho já pouco há a aprender pelos alunos, sendo difícil garantir concentração. Um dos argumentos é um quadro de cansaço dos alunos por causa de um ano letivo muito longo.
E há provas desse quadro de cansaço?
Temos de recorrer a dados estatísticos sobre a carga. Por exemplo, a Fundação Francisco Manuel dos Santos revela que as crianças portuguesas passam, em média, 38 horas por semana na escola. Se somarmos o tempo de ATL, muitas chegam a fazer jornadas diárias de 10 a 11 horas, uma carga superior à de um adulto trabalhador a tempo inteiro o que, dizem os especialistas, pode criar um quadro de mal-estar psicológico
Além desses dados, há estudos que comprovam esse quadro de mal-estar psicológico entre os alunos?
Um estudo realizado pelo ICAD com milhares de alunos em Portugal aponta para sinais preocupantes ao nível da saúde mental dos jovens. A maioria dos estudantes admite não dormir o suficiente e começar o dia já com sintomas de cansaço. Este foi um estudo que abordou sobretudo jovens em idade mais avançada, mas mostra que a carga horária escolar poderá ser bastante elevada em Portugal, o que começa logo nos primeiros níveis de ensino.
Mas encurtar o ano letivo não pode tornar mais difícil a vidas das famílias? Muitos pais podem não ter férias em Junho, nem em julho.
Esse é o debate que os diretores pretendem. Por exemplo, países como a Alemanha, França, Reino Unido e Países Baixos optam por encurtar o verão para dar descanso frequente às crianças. As férias de verão duram apenas 6 a 8 semanas, algo que a concretizar-se em Portugal obrigará a uma conciliação com as empresas para organizar as férias dos pais.





























