O que torna diferente a nova onda de calor em Portugal?
30 jun, 2026 • Anabela Góis
No Explicador Renascença desta terça-feira, falamos sobre a onda de calor que está a começar em Portugal, o que a distingue de episódios anteriores, o que define uma onda de calor e quais os principais riscos associados às temperaturas elevadas.
A onda de calor vai chegar a Portugal esta quarta-feira e pode durar entre oito a dez dias, de acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Neste Explicador Renascença, perguntas e respostas sobre os próximos dias de (muito) calor em Portugal continental.
Esta não é a primeira onda de calor do ano. O que é que esta tem de diferente, ou especial?
A principal diferença é a duração. Todas as ondas de calor são únicas, mas esta preocupa sobretudo pela sua abrangência temporal, principalmente em zonas que não estão habituadas a temperaturas tão elevadas.
No Alentejo, por exemplo, é relativamente comum haver uma semana com temperaturas máximas acima dos 40 graus. Já em algumas zonas do litoral isso não é habitual. Neste episódio, há regiões relativamente próximas do mar que deverão registar temperaturas entre os 35 e os 40 graus durante vários dias consecutivos.
Para já, está previsto que esta situação se mantenha, pelo menos, até aos dias 7 ou 8 de julho. O Instituto do Mar e da Atmosfera não garante, no entanto, que não se prolongue para além dessa data.
Estamos sempre a falar de ondas de calor. Afinal, o que é que define uma onda de calor?
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, uma onda de calor corresponde a, pelo menos, seis dias consecutivos com temperaturas cinco graus acima da média.
Por exemplo, se houver cinco dias com temperaturas de 40 graus, seguidos de dois dias com valores normais e depois mais cinco dias acima dos 40 graus, tecnicamente não se trata de uma onda de calor, embora continue a ser um episódio de duração significativa.
Esperam-se recordes de temperaturas, como tem acontecido por toda a Europa?
O Instituto do Mar e da Atmosfera diz que não se esperam recordes históricos. Isso pode acontecer pontualmente, mas não é o cenário mais provável.
O recorde de temperatura máxima em Lisboa é de 44 graus, registado em agosto de 2018. Não se espera que esse valor seja atingido nos próximos dias, embora esteja previsto um agravamento do calor.
E vamos ter as chamadas noites tropicais?
Sim. Praticamente todo o território deverá registar várias noites com temperaturas acima dos 20 graus.
Na região de Lisboa, por exemplo, esperam-se seis ou sete dias consecutivos com temperaturas mínimas a rondar os 24 ou 25 graus.
E quais são os dias de mais calor?
Para já, quinta e sexta-feira são os dias com mais avisos de calor emitidos.
Na quarta-feira, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja estão sob aviso laranja, enquanto o restante território se encontra em aviso amarelo.
Na quinta-feira, o aviso laranja estende-se a todas as zonas abaixo do rio Mondego.
Na sexta-feira, todo o território passa para aviso laranja, embora o Instituto do Mar e da Atmosfera admita que alguns distritos possam subir para vermelho, o nível mais elevado.
Os avisos são emitidos apenas com três dias de antecedência, pelo que a situação ainda poderá agravar-se.
E com este episódio prolongado de calor, que tipo de perigos há a ter em conta, para que possam ser evitados ou, pelo menos, prevenidos?
Um dos principais riscos é o de incêndio. Todo o cuidado é pouco.
Há também o risco de desidratação, sobretudo entre bebés e idosos. Os doentes crónicos devem igualmente ter cuidados especiais para evitarem descompensações. Quem trabalha no exterior deve evitar exposições prolongadas ao sol.
É ainda previsível que a mortalidade possa aumentar, como aconteceu noutros países. Em França, por exemplo, foi registado um excesso de mais de mil mortes numa única semana devido à onda de calor que o país tem enfrentado.
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