Porque é que o Vaticano excomungou seis membros da Fraternidade São Pio X?
02 jul, 2026 • Ângela Roque
No Explicador Renascença desta quinta-feira, falamos sobre porque é que o Vaticano declarou a excomunhão de seis membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o que significa esta decisão e quais são as suas consequências.
O que aconteceu?
O Vaticano declarou, esta quinta-feira, a excomunhão de seis membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Em causa está a ordenação de novos bispos sem a necessária autorização do Papa e ignorando o apelo de Leão XIV para que não o fizessem.
A cerimónia decorreu na quarta-feira, 1 de julho, na Suíça, num desafio à autoridade do representante máximo da Igreja Católica. Apenas 24 horas depois, o Dicastério para a Doutrina da Fé classificou a ordenação como um "ato de natureza cismática" e anunciou a excomunhão dos seis envolvidos: os quatro sacerdotes ordenados bispos, e os dois bispos que presidiram à cerimónia.
O que significa serem excomungados?
Serem excomungados significa que deixam de estar em comunhão com a Igreja.
Desde que foi criada por monsenhor Marcel Lefebvre, em 1970, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X nunca se identificou com as orientações e reformas saídas do Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960.
Os seus membros não aceitam a liberdade religiosa nem o diálogo ecuménico e inter-religioso. Além disso, continuam a celebrar missa segundo o rito antigo, em latim, seguindo exclusivamente o Missal Romano de 1570, correspondente à chamada Missa Tridentina.
Estas celebrações têm tido autorização do Vaticano, mas mediante determinadas condições. O atual Papa tem lembrado que a celebração da missa não deve ser moldada por gostos pessoais ou divisões institucionais.
Na véspera da ordenação episcopal, Leão XIV dirigiu um último apelo ao superior da Fraternidade São Pio X, pedindo que não "rasguem a túnica de Cristo".
O que acontece agora aos elementos desta fraternidade?
O documento publicado pelo Vaticano afirma que os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X se encontram em "situação de cisma" e, por isso, administram ilicitamente os sacramentos. Por exemplo, não podem confessar nem casar fiéis, sendo esses sacramentos considerados inválidos à luz da Igreja, com a qual não estão em comunhão.
O documento acrescenta que a Igreja acolherá todos aqueles que desejarem regressar à plena comunhão, aceitando as regras saídas do Concílio Vaticano II, e pede aos fiéis que se abstenham de participar nas celebrações e atividades promovidas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Pode haver um volte-face nesta situação?
O Vaticano mantém-se disponível para dialogar, mesmo após este "ato cismático". A garantia foi dada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé.
Esta não é a primeira rutura com a Fraternidade São Pio X. Em 1988, o arcebispo Marcel Lefebvre ordenou outros quatro bispos sem mandato pontifício e o então Papa João Paulo II declarou a sua excomunhão.
Essa excomunhão viria a ser revogada em 2009 por Bento XVI, numa tentativa de promover a reconciliação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que 17 anos depois volta a desafiar o Papa.

































